sábado, dezembro 22, 2012

Lembro-me bem de como era estar do lado de lá, quando eram os meus dedos nas cordas. Pergunto-me se quem hoje toca para nós tem desmontada a canção tal como eu tenho todas aquelas que construímos na altura. 
Primeiro aqueles quatro tempos, em que os dedos permanecem nesta posição, neste compasso, neste movimento repetido. Depois somaremos os graves. Segue-se o bloco dos acordes completos, um dois três quatro, muda. Repete. Prevejo a distância do fim, quando mais ninguém na sala o conhece para além de nós, os criadores. Desenleamos o som num fio que cada um de nós não consegue escutar, não individualmente, não enquanto permanecermos neste posto de desenleio. Oiço as minhas entradas, o compasso, sigo a linha por onde tenho de escrever com cuidado e pormenor. Oiço até cada nota ao lado, cada tropeção de dedos, cada som abafado. Chego ao fim e respiro. Não escutei nada mais que as partes. Não conheço o todo. Saberei um dia ouvi-lo depois de o desmontar assim?
Hoje, concentro-me, não quero apenas a soma das partes. Hoje, que não tenho os dedos nas cordas, guardo-me o privilégio de conhecer o todo.


sábado, dezembro 15, 2012

Parece que tenho medo. Como se desta vez importasse a forma como escrevo. Não importa, nunca importou. Importa que escreva.
Devem ser os outros regressos que me tornam aqui. Pus o Jeff a cantar. Pergunto-me, como pergunto sempre que o oiço de novo, porque fiquei tanto tempo sem ele. O peito aperta durante toda a audição. Ainda sou isto. 
Preciso de tempo e de solidão para escrever. Os dias felizes não têm ajudado. Que o futuro não se esqueça que pertenço aqui, uma vez por outra.

domingo, novembro 04, 2012

Regresso

Estou por cá. Ando à procura de algo e julgo conseguir encontrá-lo aqui. Pelo menos, é cá que o quero partilhar. Como sempre.
Cá fora a vida evoluiu. Recordo o que já escrevi neste espaço e sou hoje o receio desses tempos. Mas sou fiel. Não me abandono. Venho aqui, talvez, na esperança de recuperar a perdição pela escrita. Não acredito  num fim para as palavras. Não posso deixar, prometi-me. Estou aqui, nestas páginas, para cumprir a promessa. Quero regressar. É preciso.

Agora, só me falta sobre o que escrever.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Criei um novo projecto que pretendo manter mais activo do que tem estado este blog actualmente. Vemo-nos .

sábado, outubro 09, 2010

Porque só as palavras me saem livres. Porque o digo, por escrito, entre versos discretos e algum pó de talco. Porque foi nesta arte que decidi viver e o corpo intimidou-se. Observo e sinto, guardo-o para estas tardes na solidão onde resumo o que não faço. Escrevo-o para que viva.
Admiro-lhe a genuinidade. Porque o sente e o pede. “Dá-me um abraço.” E, por ser verdadeira, recebe sempre um sorriso de volta e os braços largos de quem os pediu. E invejo-lhe o gesto porque só me resta a escrita.
Também o sinto. Também quero braços e ombros e tronco e mãos no dorso. Porque não são só braços e ombros e tronco e mãos, são vidas que se tocam. E tocam-se, tanta vez, com os sorrisos novos e as palavras doces, a presença inesperada e aqueles gestos onde encontramos por instantes um pouco de nós. Porque há quem me toque e já viva em mim. Porque há quem seja indispensável. Porque o quero mostrar, para que o saiba. E tenho braços e ombros e tronco e mãos para mostrar o quão essencial alguém é para mim, muito para além das palavras poucas que ainda sei escrever. Também eu quero um abraço.

sábado, julho 10, 2010

Também te quero os ombros.

Quero que termine. O peito contorce vagarosamente e o tempo custa a passar. Mas passa. Depressa. Vejo-o passar, dorida pelo desejo de que termine e pela culpa de o saber essencial.
Vou acordar mais logo, arrependida pela vida que foi ficando para trás. Mas tem de ser.

Tem de ser.


Sete anos depois. Não te sei deixar. És meu.
O meu blog.

domingo, maio 23, 2010

quinta-feira, abril 29, 2010

Hoje acordei com as palavras a borbulhar. Têm vindo a aquecer nos últimos dias, parece que há algo para dizer. Só me recordo das saudades.
É urgente regressar. É urgente ser, de novo, a alma que fui antes. É urgente reler tudo o que foi escrito para voltar a mim. Porque não mudo. Esqueço, tanta vez, mas não mudo. Tenho fé no que fui, mais do que tenho no que sou. Inspiro-me, porque sou a mesma.
Ainda desorganizada, começo a receber-vos em casa. Espero que não se incomodem e que, apesar do caos aparente, se acomodem e passem uma noite agradável. Hoje cozinho, não prometo nada de divino, mas dou o meu melhor. Nunca cozinhei antes, espero que compreendam. Confortem-se que já volto, vou preparar tudo. Riam-se, que a minha gargalhada já tem saudades das lágrimas felizes. Vai ser boa, esta noite, é nossa. Amanhã... logo se vê.

domingo, fevereiro 07, 2010

O peito pesa-me como há muito não acontecia. Fugiste-me. Não o deixei, mas fugiste na mesma. Preparaste bem o escape, explicavas-me como o tempo altera rotas, como é o expectável, como não te surpreenderia. Passo por ingénua por acreditar em nós. Sorrias e olhavas por cima de mim.
E hoje és tu. Disseste "não me conheces". E o peito dói por ver que não nos conheço. Eu estive sempre muito atenta e não o vi chegar. Ou talvez tenha visto. Mas tu dizias que era mesmo assim e eu sou apenas ingénua e não tenho o direito de lutar por algo em que acredito. É o tempo que altera as rotas. Não somos nós que decidimos por onde vamos. Não sou eu que te posso prender a nós. Não és tu que decides o teu vagar nem os teus dias. Não tens controlo. Não terei também, talvez. A minha vontade não valerá de muito, as tentativas repetidas não te provarão nada em contrário ao que sempre me disseste, é tudo expectável.
Dói. A ingenuidade. Ou a falta dela.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Conta comigo. Sei que mal me vês, que tens outros mais presentes, mas não me esqueças. Este sorriso faz-me falta e sentimos de igual forma, não vês? Sei que não sou a primeira escolha, que há a companhia do costume e é mais prático marcar o número de sempre, mas se ficarem treze à mesa e a superstição falar mais alto, terei todo o gosto. Se ninguém estiver com grande vontade, tenta-me. Enfim, se a angústia te bater à porta, será um prazer combatê-la a teu lado. Estarei em boa companhia e a alma cresce. A partilha fertiliza-nos. Sei que o sentes também. E, mesmo que não me vejas em ocasiões frequentes, lembra-te que o sinto contigo. Conta comigo, sim?