sábado, julho 10, 2010

Também te quero os ombros.

Quero que termine. O peito contorce vagarosamente e o tempo custa a passar. Mas passa. Depressa. Vejo-o passar, dorida pelo desejo de que termine e pela culpa de o saber essencial.
Vou acordar mais logo, arrependida pela vida que foi ficando para trás. Mas tem de ser.

Tem de ser.


Sete anos depois. Não te sei deixar. És meu.
O meu blog.

domingo, maio 23, 2010

quinta-feira, abril 29, 2010

Hoje acordei com as palavras a borbulhar. Têm vindo a aquecer nos últimos dias, parece que há algo para dizer. Só me recordo das saudades.
É urgente regressar. É urgente ser, de novo, a alma que fui antes. É urgente reler tudo o que foi escrito para voltar a mim. Porque não mudo. Esqueço, tanta vez, mas não mudo. Tenho fé no que fui, mais do que tenho no que sou. Inspiro-me, porque sou a mesma.
Ainda desorganizada, começo a receber-vos em casa. Espero que não se incomodem e que, apesar do caos aparente, se acomodem e passem uma noite agradável. Hoje cozinho, não prometo nada de divino, mas dou o meu melhor. Nunca cozinhei antes, espero que compreendam. Confortem-se que já volto, vou preparar tudo. Riam-se, que a minha gargalhada já tem saudades das lágrimas felizes. Vai ser boa, esta noite, é nossa. Amanhã... logo se vê.

domingo, fevereiro 07, 2010

O peito pesa-me como há muito não acontecia. Fugiste-me. Não o deixei, mas fugiste na mesma. Preparaste bem o escape, explicavas-me como o tempo altera rotas, como é o expectável, como não te surpreenderia. Passo por ingénua por acreditar em nós. Sorrias e olhavas por cima de mim.
E hoje és tu. Disseste "não me conheces". E o peito dói por ver que não nos conheço. Eu estive sempre muito atenta e não o vi chegar. Ou talvez tenha visto. Mas tu dizias que era mesmo assim e eu sou apenas ingénua e não tenho o direito de lutar por algo em que acredito. É o tempo que altera as rotas. Não somos nós que decidimos por onde vamos. Não sou eu que te posso prender a nós. Não és tu que decides o teu vagar nem os teus dias. Não tens controlo. Não terei também, talvez. A minha vontade não valerá de muito, as tentativas repetidas não te provarão nada em contrário ao que sempre me disseste, é tudo expectável.
Dói. A ingenuidade. Ou a falta dela.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Conta comigo. Sei que mal me vês, que tens outros mais presentes, mas não me esqueças. Este sorriso faz-me falta e sentimos de igual forma, não vês? Sei que não sou a primeira escolha, que há a companhia do costume e é mais prático marcar o número de sempre, mas se ficarem treze à mesa e a superstição falar mais alto, terei todo o gosto. Se ninguém estiver com grande vontade, tenta-me. Enfim, se a angústia te bater à porta, será um prazer combatê-la a teu lado. Estarei em boa companhia e a alma cresce. A partilha fertiliza-nos. Sei que o sentes também. E, mesmo que não me vejas em ocasiões frequentes, lembra-te que o sinto contigo. Conta comigo, sim?

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Lamento. Não consigo terminar a porcaria do texto. E, sim, continuo sem dizer asneiras. Ainda vou tentar.

Também tenho saudades.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Nota sobre SEM

Terminei.

Os últimos posts actualizados foram o SEM #13, #14 e #20. Espero que gostem da viagem que vos trouxe para casa.

Obrigada por continuarem por cá. Gosto de voltar e de vos ver aqui.

segunda-feira, agosto 31, 2009

SEM #32
Ainda bem que estava meio adormecida durante as despedidas finais. O coração estava mais calmo e a alma ainda descansada. A cabeça, anestesiada, não nos incomodou. Quase que não reparei que se tinham ido embora para longe. Por muito tempo.
O tempo podia ter sido mau nos meus olhos, mas tivemos sorte, o amanhecer trouxe um céu limpo no nosso sorriso.
Afortunada. Mudaremos este final. Havemos de nos encontrar de novo, a meio caminho.


Fim

domingo, agosto 30, 2009

SEM #31
Foi a última noite e as horas eram preciosas. Não dispensámos o passeio nocturno e acabámos junto ao rio. O sol acabara de se deitar, sentámo-nos na ponte e tentámos não nos perder. A conversa fluiu, como sempre. Seguiríamos o curso do rio e cada uma de nós chegaria a casa algum tempo depois. Avisaram-me para ter cuidado e não virar à esquerda num certo cruzamento ou não chegaria ao meu país. Recitou-se um poema sobre o mar numa lingua que não compreendo, mas cuja musicalidade encanta. Faltou-me a memória para um poema de casa, mas não esqueci as histórias. Sentámo-nos de costas para a cidade e despedimo-nos. Cantou-se e aprendemos a contar tempos bizarros. O frio apertou e as mãos tornaram-se instrumentos de sopro sem vergonha na noite aberta desta cidade que nos acolheu. Rimo-nos. Há tanto mais a aprender aqui, com esta gente. Um dia, quem sabe, passearemos de novo junto a um rio pela noite. Noutro lugar. Talvez então já terei um poema para a ocasião.

sábado, agosto 29, 2009

SEM #30
Não vem escrito em lado nenhum. Inventam-se os livros de viagens, que aconselham todos os hoteis e restaurantes, os monumentos e museus essenciais ao turista e, quem os segue, sentes-se satisfeito por ter cumprido o programa e conhecer em profundidade o país. Mentira. As fotografias e o dinheiro gasto não chega. É preciso escavar, ir pelos caminhos estreitos, às terras escondidas e é preciso perder-se.
Perdemo-nos entre as gentes da pequena cidade. Uma rua enfeita-se de bancas onde cada família cozinha para nós. O prato é o mesmo, o entusiasmo o mesmo, o sabor tenta diferir para ganhar o concurso. São muitos tachos a cozer ao longo da rua, mas não é o que mais fascina. Sinto-me convidada em casa alheia. As famílias cruzam-se, cumprimentam-se, servem-se os pratos sem pedir nada em troca, traz-se mais farnel de casa, as crianças juntam-se à mesa e uma banda popular canta músicas do país vizinho, um irmão de armas e de história mas por vezes conflituoso. E não há livro que nos convide a esta festa. (Nem o Lonely Planet.) É preciso a família convidar. É preciso o país querer-nos lá, pegar em nós e partilhar connosco. Há muito mais além dos livros.