quinta-feira, maio 03, 2007

AA
Saimos de lá tão felizes. Conseguiste. Não só aquilo a que todos assistimos, mas especialmente o que te deixou orgulhosamente feliz hoje. Cuidaste bem de nós, tão bem que o teu sucesso se espande até nós. Ofereceste-nos esta conquista, somos nós que a saboreamos, enquanto tu nos admiras de perto e em silêncio, te espantas com a felicidade que te roubámos. E é isso que te interessa, é esta partilha, esta autenticidade por que sempre lutaste, que sempre nos mostraste e que agora se comprova. És verdadeira connosco e contigo, somo tão felizes contigo e por ti. Gravamos a pureza em nós.

quarta-feira, maio 02, 2007

AM
Hoje assisti ao início da concretização de um sonho. Lá estava ela, à espera que finalmente acontecesse. Não que tenha esperado muito, sempre fora tão nítido aos meus olhos este momento que aqueles instantes que antecederam não significaram mais que uma espera pela hora do comboio, do teatro, da aula. E eu estive lá, fiz parte deste começo, deste voo inaugural que acredito que não terminará tão cedo. Ela voa, sem saber, sobre a cabeça de todos nós e cá estou eu, como sempre estive, a admirar a majestade do voo, a elegância dos movimentos, e sempre com um sorriso pronto para lhe oferecer caso um dia duvide do sonho em que agora vive.

terça-feira, maio 01, 2007

BM
Apanhei-te em brincadeiras infantis. Sozinha, como se ninguém te visse, caminhavas em desequilíbro na borda do passeio. Vi-te sorrir e por pouco perdi a lenga-lenga que se afinava em ti para sair radiosa. Não vais parar por te ter descoberto, sabes bem ser pequena e brincar com as coisas monótonas que nos dão. Sabes olhar bem para cima e apreciar uma grande nuvem que se impõe naquele azul e sabes como gritar bem alto aos nossos ouvidos que há cores e há vida para além do triste passeio. Vou seguir-te o exemplo e, enquanto não me vires, vou-me perder em brincadeiras infantis.

JM
Isto está bom é para ti. Tu que partes serena para o combate, tu que sugas os segundos que te prestam, tu que te dedicas a ti e a nós, tu que lutas por ti e por nós. Está optimo para quem construiu este momento com as pedras que possuia, que acreditou sempre e que foi capaz de nos provar que o sonho se torna certo quando tentamos acordar. Ficou perfeito para ti, que soubeste por onde seguir e não hesitaste em avançar. Chegaste bem, como terias de chegar. Nunca duvidaste que seria este o caminho, a calma moldou-te os passos, e já conhecias isto. E é isto. Tão bom para ti, que o mereces.

[WORK IN PROGRESS]

sábado, abril 14, 2007

Obrigada a todos os que tiveram presentes. Fico contente de ter partilhado este momento tão importante convosco. Fiquem por aqui. Até já!

terça-feira, abril 10, 2007

LANÇAMENTO DO LIVRO


CARPE DIEM [UM BLOG]
(Corpos Editora)



Sábado, 14 de Abril, às 16h na livraria Bulhosa em Entrecampos, Lisboa. Apareçam! Sem vocês não teria chegado aqui, preciso de vocês para continuar. Obrigada!

sexta-feira, março 23, 2007

[ alguns dos escritos da Aula Aberta de Escrita Criativa da NextArt ]

Cheguei, amor. Vim buscar-te para uma viagem de volta à terra que nos pariu. Entro em casa para te encontrar adormecida com a lã ao teu colo, em silêncio. Em tempos o vento passou por aqui e levou-te. Fui-me também, à tua procura, amor, para renascer em nós, relembrar-nos e reviver-nos. Vamos brincar os dois aos bonecos felizes como quando eramos crianças antes de nos cegarmos um pelo outro. Ceguei por ti. Soube então que tinhas regressado à nossa casa. Velhos, agora, já não temos nada a perder. Vim buscar-te, amor, vamos de viagem. Mas tu dormes, sem saber que te observo, de lã no colo. Mas não vais acordar. Cheguei tarde. O nosso amor morreu.

Cinco pontas de uma estrela
Cinco homens a correr
Cinco vidas para viver
Cinco estações para passar
Cinco anos, cinco irmãos
Cinco, quatro, três e nenhum
Cinco mais uns quantos
Cinco horas e chá amargo
Cinco, como nós, a lutar
Cinco casas onde vivi
Cinco minutos para o toque
Cinco semanas para nascer
Cinco metro para descobrir
Cinco notas para tocar
Cinco músicas para embalar
Cinco palavras para calar
Cinco dedos onde me perder
Cinco folhas caídas no bando de jardim
Cinco viagens a Londres e
Cinco ingleses a sorrir à despedida
Cinco ladrões de corpos
Cinco cães denunciadores
Cinco passos em direcção ao mundo
Cinco países de lingua igual
Cinco línguas de rostos diferentes

[A Escrita Criativa não é para gente que sabe escrever e aspira a escrever sempre bem. É para quem se quer divertir um pouco com as palavras. A Escrita Criativa é para ser espontânea, livre e sem regras. É uma catarse e não literatura. Por isso acredito que todos devessemos experimentar, pelo menos uma vez. É divertido e faz bem. Voltei hoje à NextArt durante uma hora e foi muito agradável. Escrevi muito depressa e fiquei espantada com algumas coisas de que me lembrei. Fiquei muito satisfeita com o primeiro texto que aqui pus. Foi sorte. Eu até vos contava todos os exercícios que fizemos, mas depois perdia a graça quando lá fossem experimentar. Vão, sim! Nem que seja pela vista sobre Lisboa... ]


sexta-feira, março 16, 2007

Pronuncia . bem . devagar . a . palavra

prazer
- Então, nada?
- Nada...
- Bem... Tenta para a próxima então.

domingo, fevereiro 25, 2007

Cara - ,
Estou só e cansada e preciso de falar. Já ninguém me ouve há algum tempo. Tenho estado calada, bem verdade. Mas não me vês agora ansiosa por uma conversa prolongada? Tu, que me vais ler quando tiveres tempo, não me vais interromper agora em que direi o que me lembrar.

É difícil estar só. É muito difícil querer ser alguém completamente diferente. E não falo de como todos somos diferentes e iguais, em que parece existir um pote de características comuns de onde retiramos as nossas e cuja combinação nunca será igual a de mais ninguém. Não. Peguei em algo original. E, condenada por isso, sinto-me só. Não escolhi nada, sou assim. Quis mudar, mas apenas o impulso basta para me enojar. Não há como fugir a mim. E não há como viver assim.

É tão frustrante para mim escrever sempre com as mesmas palavras. Li certo dia que usamos apenas cerca de 300 palavras no nosso vocabulário. Os meus textos não são mais que uma composição dada dessas mesmas 300 palavras, possivelmente ainda menos. É por isso que às vezes me sinto tão pobre. Qualquer um pega em palavras como "ti", "comigo", "pensar" ou "sentir" e escreve um bonito texto porque, ao ser o mais geral possível, maior é a possibilidade de quem ler interpretar de uma maneira agradável para si. Sou simples e sou oca, diz-me a palavra.

Lembro-me dos primeiros tempos da nossa amizade. O fascínio, a velocidade com que trocava de sentimentos por ti, o entusiasmo, a novidade, a surpresa. Queria poder contar-te tudo de novo, como te fiz ao princípio em que me despi depressa enquanto sorria, tão tola, por conseguir. Admirei-te por me teres feito amar-me. Mas passou. Sinto isso hoje. Já criei as minhas barreiras para ti, já me olhaste desconfiada e incompreensível. Já me embaraçaste. Já não me procuras. Já não precisas de mim. Já não sabes que este texto é para ti. Não te posso perder. Devolve-me os olhos fundos e o sorriso tentador. Preciso de me voltar a sentir fascinante.

Perdoa-me a falta de senso de todo este texto. É muito tarde para mim e vim de um sitio que não me pertence. Estava lá gente minha, mas o meio não me serve. Cheiro a esse lugar nas mãos e nos cabelos, espero que não me perturbe o sono que já pesa em mim. Até breve, espero, um grande abraço que nunca trocámos para ti,

Laura

(Repara na quantidade de vezes que usei as palavras "mim" e "ti" nesta carta. Mas descanso porque isto não é poesia nem prosa, são frases mal apagadas da cabeça estoirada. Não quero ser poeta aqui.)

sábado, janeiro 13, 2007

A Condição Sobre-Humana

Pedro sofre de uma condição terrível. Não sabe viver de outra forma e é uma pessoa triste por não ser como nós. Pedro não sente abraços por causa da sua condição. Não beija, não sabe como, não arrisca toques discretos nem se descai em tiques nervosos. Não tem qualquer sinal de espontaneidade. Não se sabe perder numa música ou num poema, Pedro não compreende a arte, não lhe encontra utilidade. Não vê cores para além das reais, não descobre áureas sobre a cabeça de ninguém. Não acredita em superstições, não usa amuletos, nem reza. Não sabe andar nas nuvens, ir à lua ou perder a cabeça. Não compreende os termos nem quem se vence por eles. Pedro é incapaz de enlouquecer, apesar de todas as limitações angustiantes que o atormentam, porque a sua própria condição o impede. Não sabe dançar e não sabe fingir. Pedro não se ri histericamente nem é capaz de disparatar para divertir os amigos. Pedro não tem amigos. Não compreende quem se enamora. Pedro não se enamora, falta-lhe a loucura (porque Pedro não enlouquece) e o esquecimento. Ele não esquece, sabe de cor cada palavra que disse e o que lhe responderam, cada pequena traição, cada descuido, cada hálito perceptível. Não consegue abstrair-se dos pequenos detalhes errados, especialmente dos seus. Uma palavra embrulhada na língua, um desequilíbrio ridículo, uma cor desencontrada na roupa, um cabelo teimoso, um espirro sonoro, um esforço inútil e embaraçoso por não ser nada disto, uma tentativa facilmente desmascarada de ser tão livre como os outros. Pedro não é livre, é prisioneiro dos seus planos e horários, que cumpre escrupulosamente, porque tem de ser, e não tem a capacidade de improvisar. Não consegue perder tempo. Todos os gestos são estudados e elaboradamente descritos e previstos muito antes de os executar. Pedro perdeu o instinto. Tem protocolos determinados para vestir, despir, abrir a porta, cumprimentar o vizinho, dormir. Mas Pedro adormece de coração pesado, escondido da noite por baixo dos lençóis. Até o sono chegar, Pedro afoga-se em vergonha, por todos os pormenores que falhou durante o dia, mas que apenas ele recordará de novo, e culpa, por ter cedido à sua debilitação e impotência para mudar. Viverá para sempre nesse estado estático e constante. Pedro sabe exactamente tudo o que é afectado em si por esta monstruosa condição e, por isso mesmo, padece mais, por saber o quanto é poderosa e impossível de eliminar. Uma vez atingido na sua totalidade, um indivíduo jamais se poderá libertar dela. Faz parte do processo ter noção de tudo isto, faz parte o martírio constante durante os momentos de solidão, que, aliás, se tornam mais comuns. Ninguém aceita gente como o Pedro, mudas porque não há nada para dizer, buracos bem fundos que recolhem tudo o que os rodeia mas jamais dão algo de volta. Não são iguais. Pedro está só e cada vez se isolará mais. Pedro possui uma terrível condição que o impede de viver entre nós, de viver como um de nós. Pedro está desesperado por ser quem é. Pedro não pode mudar. Pedro sofre de Consciência.