Vais ler. Um dia ou dois depois de o escrever vais ler. E, um minuto ou dois depois vais dizer-me "és capaz de melhor". E, um instante ou dois depois, vou baixar o queixo, confirmar o que me disseste e envergonhar-me por já não ser capaz de melhor.
Disse hoje ao J. que parecia que já não era a mesma pessoa que aqui escrevia. Não sou. Perdi-me no meio das escolhas múltiplas, das paredes pesadas e da ignorância gratuita. Não me encontro lá. Não tenho casa aqui. Olho este meu filho e peço-lhe perdão. Ele é pequeno, também não será capaz de me puxar.
Há que vencer a passividade. Há que levantar cedo e tomar o banho que se impõe apesar da preguiça. Há que escrever a Hx mesmo quando a vontade é nula, quando o interesse já morreu. Há que ler. Ler muito. Lembrar as palavras, os autores, o sublime, a arte e o sonho. Há que voltar a emocionar o peito. Há que doer ouvir a Hyper Chondriac Music, há que ficar até às 2h a escrever o que os dedos quiserem jorrar. Quando chegar o seu tempo. Há que viver. Há que acreditar.
Ando há quase dois anos nisto. A desculpar-me aqui pela minha fraqueza de espírito. Preciso de voltar a mim. De me admirar. Sinto que é isso que mais falta me faz, sentir que tenho valor, que não sou vulgar. Parece que, afinal, a estima própria não era assim tão pouca...
segunda-feira, março 23, 2009
sábado, março 21, 2009
sábado, janeiro 17, 2009
O. - T. F. P.
Diz que no passado a palavra o prejudicou. Não a soube usar, não se soube fazer ouvir. Olha o chão, mas mantém a determinação da voz, já não é o menino tímido que o sobrolho carregado induz. É competente e queria ser maior. Porque agora, só agora, sabe que o merece. É especial e não o partilha. Sugere, a quem sabe ver, mas não o demonstra.
O menino alto, de anos maduros na pele e juventude na voz, entrega-se ao projecto novo. Olha em frente e, agora sim, fala-nos numa voz assertiva, respeitosa. Sorri, esconde os olhos pequenos no riso honesto, revela a beleza do humor simples e caseiro. Faz festas na mão da colega do lado, ri-se. Torna-se o exemplo para o resto do grupo. E a voz, vinte anos depois, revela-se.
E pinta, o alto. Mal, diz, mas pinta e não desiste. Distingue o bom do comestível e não lhe dá importância. É alguém, não é apenas o competente. Ele pinta, colegas, eles é mais que tudo isto. E está cá para ser ainda maior.
É aquele, sim, o que passa agora por nós. É ele. Não apontes que é feio.
[Hei-de melhorar o texto. Assim ninguém se entende. Mas são ideias, deixem-nas vir.]
Diz que no passado a palavra o prejudicou. Não a soube usar, não se soube fazer ouvir. Olha o chão, mas mantém a determinação da voz, já não é o menino tímido que o sobrolho carregado induz. É competente e queria ser maior. Porque agora, só agora, sabe que o merece. É especial e não o partilha. Sugere, a quem sabe ver, mas não o demonstra.
O menino alto, de anos maduros na pele e juventude na voz, entrega-se ao projecto novo. Olha em frente e, agora sim, fala-nos numa voz assertiva, respeitosa. Sorri, esconde os olhos pequenos no riso honesto, revela a beleza do humor simples e caseiro. Faz festas na mão da colega do lado, ri-se. Torna-se o exemplo para o resto do grupo. E a voz, vinte anos depois, revela-se.
E pinta, o alto. Mal, diz, mas pinta e não desiste. Distingue o bom do comestível e não lhe dá importância. É alguém, não é apenas o competente. Ele pinta, colegas, eles é mais que tudo isto. E está cá para ser ainda maior.
É aquele, sim, o que passa agora por nós. É ele. Não apontes que é feio.
[Hei-de melhorar o texto. Assim ninguém se entende. Mas são ideias, deixem-nas vir.]
Oiço o teu coração com o ouvido deitado no teu peito. "E o que diz?" perguntas. Diz que tem fome.
É como chegar a casa. Sorrio porque vos vejo, desse lado, um pouco inclinados para a frente (cuidado com as costas) a beber aos pequenos goles o que trouxe para vocês. Não é muito, não sei o que é ainda, mas trago porque gostam que vos traga surpresas. E, quando já não espero apreço, agradecem-me o facto de não ter deixado de as trazer, mesmo que mais enrugadas e murchas, mas trago. E relembro todas as outras e relanço as que hão-de vir. As boas. As arrebatadoras. As verdadeiramente arrebatadoras.
E sorrio porque me lembro de mim. Sou eu. Sou esse brilho nos vossos olhos cansados do monitor violento que vos aumenta a graduação. Sou esse sorriso quando me dizem "eu li". Sou esse comentário e essa crítica. E quero-nos de volta. Quero a partilha de volta.
E acabo sempre a escrever sobre a saudade deste blog.
É como chegar a casa. Sorrio porque vos vejo, desse lado, um pouco inclinados para a frente (cuidado com as costas) a beber aos pequenos goles o que trouxe para vocês. Não é muito, não sei o que é ainda, mas trago porque gostam que vos traga surpresas. E, quando já não espero apreço, agradecem-me o facto de não ter deixado de as trazer, mesmo que mais enrugadas e murchas, mas trago. E relembro todas as outras e relanço as que hão-de vir. As boas. As arrebatadoras. As verdadeiramente arrebatadoras.
E sorrio porque me lembro de mim. Sou eu. Sou esse brilho nos vossos olhos cansados do monitor violento que vos aumenta a graduação. Sou esse sorriso quando me dizem "eu li". Sou esse comentário e essa crítica. E quero-nos de volta. Quero a partilha de volta.
E acabo sempre a escrever sobre a saudade deste blog.
sexta-feira, dezembro 26, 2008
quinta-feira, dezembro 25, 2008
Quero escrever-nos. Quero escrever os nossos pés enrolados nas meias quentes, o teu sorriso a nascer na minha pele, o teu brilho quando as persianas se espreguiçam. Não me esqueço do teu braço tão bem encaminhado para o meu pescoço quando o sono se surpreende com a minha presença. Agradeces-me, entre o sonho e novo velho dia, este começo de luz. Sorrio e sou feliz apenas porque ...
És feliz.
És feliz.
sábado, dezembro 13, 2008
Saudades minhas. Será que a minha mãe também já desistiu de me vir visitar por aqui?
Ela tinha razão. Eu tinha 16 anos na altura e aconcheguei muito bem as suas palavras em mim e nos meus sonhos. Ela empurrou-me mais um pouco para o meu brinquedo favorito, a minha paixão verdadeira. Tu tens algo mais.
E tenho, tenho a vontade e as palavras cá dentro. Não posso deixar que a desistência vença, que a preguiça e o conformismo me roubem aquilo que sempre me deu alento nos dias negros. E os dias têm escurecido este Inverno, faz-me bem voltar a quem sou. Eu sou isto. Agora um pouco despenteada, mas isto.
Escreve, Laura, escreve. Não te percas. Não és uma qualquer. És mais do que o que vês agora. Tens algo atrás da bata branca de bolso recheado com o caderno da AE e a caneta que já se cansa de escrever o mesmo. A caneta merece escrever outras coisas. Escreve-te.
Mas ela tinha razão. Tinha 16 anos e ainda era pouco. Escreve-se a vida e a minha era curta. Não sei mentir, infelizmente, não sei ser quem não sou, não sei escrever o que não conheço. Não quero ser falsa, não sei ser (FML-PVT: como é que vou desenrascar o trabalho de campo?...) . Não escreverei as palavras de um coreógrafo, de um polícia ou um velho agricultor. Não sei distinguir as carnes nem os vegetais. Não tenho vocabulário fora do meu pequeno mundo. Vou acabar por me repetir.
Tenho coisas apenas minhas que não posso escrever. Não as vou partilhar. Queria, mas não posso. Infelizmente é o que me tem ocupado a cabeça nestes tempos e, por isso, recuso-me a escrever nestes dias. Mas eu vou dar-lhe a volta, arranjar forma de escrever de outra maneira, de me libertar da inibição e voltar a mim.
E ao blog.
Que tanta gente já deixou de visitar regularmente para ver se tem novidades.
E de me pedir para escrever.
Acorda.
Já tinha saudades de ler. Parece-me que foi essa ausência que me afastou das minhas próprias palavras. Estou de regresso, portanto. Veremos.
Ela tinha razão. Eu tinha 16 anos na altura e aconcheguei muito bem as suas palavras em mim e nos meus sonhos. Ela empurrou-me mais um pouco para o meu brinquedo favorito, a minha paixão verdadeira. Tu tens algo mais.
E tenho, tenho a vontade e as palavras cá dentro. Não posso deixar que a desistência vença, que a preguiça e o conformismo me roubem aquilo que sempre me deu alento nos dias negros. E os dias têm escurecido este Inverno, faz-me bem voltar a quem sou. Eu sou isto. Agora um pouco despenteada, mas isto.
Escreve, Laura, escreve. Não te percas. Não és uma qualquer. És mais do que o que vês agora. Tens algo atrás da bata branca de bolso recheado com o caderno da AE e a caneta que já se cansa de escrever o mesmo. A caneta merece escrever outras coisas. Escreve-te.
Mas ela tinha razão. Tinha 16 anos e ainda era pouco. Escreve-se a vida e a minha era curta. Não sei mentir, infelizmente, não sei ser quem não sou, não sei escrever o que não conheço. Não quero ser falsa, não sei ser (FML-PVT: como é que vou desenrascar o trabalho de campo?...) . Não escreverei as palavras de um coreógrafo, de um polícia ou um velho agricultor. Não sei distinguir as carnes nem os vegetais. Não tenho vocabulário fora do meu pequeno mundo. Vou acabar por me repetir.
Tenho coisas apenas minhas que não posso escrever. Não as vou partilhar. Queria, mas não posso. Infelizmente é o que me tem ocupado a cabeça nestes tempos e, por isso, recuso-me a escrever nestes dias. Mas eu vou dar-lhe a volta, arranjar forma de escrever de outra maneira, de me libertar da inibição e voltar a mim.
E ao blog.
Que tanta gente já deixou de visitar regularmente para ver se tem novidades.
E de me pedir para escrever.
Acorda.
Já tinha saudades de ler. Parece-me que foi essa ausência que me afastou das minhas próprias palavras. Estou de regresso, portanto. Veremos.
sábado, outubro 18, 2008
quinta-feira, agosto 21, 2008
Há algo que nos une que não se explica. Há uma paz em mim que não se entende.
Eu era poetisa. Escrevia poemas e prosa que, por vezes, me satisfaziam. Acreditava num futuro honesto na escrita. Agora sinto-me oca. Sempre que tento escrever, que já é raro, sinto a minha cabeça cheia. Como num elevador cheio de gente, onde tentamos chegar ao botão mas não dá, é impossível mover-nos. Eu tento, mas já sei que não vale a pena. Fico cansada antes de o estar.
Desiludo-me por desiludir os outros.
E parabéns ao blog, 5 anos e um mês...
Eu era poetisa. Escrevia poemas e prosa que, por vezes, me satisfaziam. Acreditava num futuro honesto na escrita. Agora sinto-me oca. Sempre que tento escrever, que já é raro, sinto a minha cabeça cheia. Como num elevador cheio de gente, onde tentamos chegar ao botão mas não dá, é impossível mover-nos. Eu tento, mas já sei que não vale a pena. Fico cansada antes de o estar.
Desiludo-me por desiludir os outros.
E parabéns ao blog, 5 anos e um mês...
quarta-feira, julho 30, 2008
Chegou Julho e ela acordou. Espera não voltar a adormecer tão cedo, tinha saudades dos olhos abertos e das possibilidades da consciência.
Adormecera por altura do Outono. Uma metáfora complexa e incompreensível serviria para explicar o que acontecera, mas era uma pessoa simples e incapaz de a construir. Ficaria pelas palavras reais esculpidas em si. Mais ninguém as veria e não importava. Adormecera embalada nelas.
O tempo correu e tornou-se denso e arrastado. Não lhe sobrara tempo para despertar, para olhar de novo para fora e vê-los, os outros, os seus, rascunhos. Não tinha tempo para se recordar sequer da sua liberdade criativa e espontânea. Adormecera de si.
Chegou Julho e cansou-se de dormir. O peso tornara-se já demasiado incomodativo para não o querer deixar e recordara-se, vagamente, do que fora e do que perdera. Não iria deixar que isso se prolongasse. Acordou em Julho.
Sim, eu sei que ainda se encontra um pouco atordoada e longe do que fora antes do longo sono, mas ela vai espreguiçar-se, lavar a cara com água e dançar ao som da música alegre que a aparelhagem lhe ceder e vai voltar em condições. Ela quer, ela luta. Ela conseguirá. Acreditem.
Energias positivas para o Universo. Simples e eficaz.
Adormecera por altura do Outono. Uma metáfora complexa e incompreensível serviria para explicar o que acontecera, mas era uma pessoa simples e incapaz de a construir. Ficaria pelas palavras reais esculpidas em si. Mais ninguém as veria e não importava. Adormecera embalada nelas.
O tempo correu e tornou-se denso e arrastado. Não lhe sobrara tempo para despertar, para olhar de novo para fora e vê-los, os outros, os seus, rascunhos. Não tinha tempo para se recordar sequer da sua liberdade criativa e espontânea. Adormecera de si.
Chegou Julho e cansou-se de dormir. O peso tornara-se já demasiado incomodativo para não o querer deixar e recordara-se, vagamente, do que fora e do que perdera. Não iria deixar que isso se prolongasse. Acordou em Julho.
Sim, eu sei que ainda se encontra um pouco atordoada e longe do que fora antes do longo sono, mas ela vai espreguiçar-se, lavar a cara com água e dançar ao som da música alegre que a aparelhagem lhe ceder e vai voltar em condições. Ela quer, ela luta. Ela conseguirá. Acreditem.
Energias positivas para o Universo. Simples e eficaz.
Subscrever:
Mensagens (Atom)