Desafio - 7 Maravilhas
Estava aqui a pensar no tempo que fico sem escrever, na pena que tenho disso e da saudade, quando me lembrei do desafio proposto desde o final de Agosto pelo atlas. É inadmissível o tempo que demoro a responder a este desafio. Algures em Setembro, lembro-me de escrever num papel as 7 maravilhas que queria referenciar, mas não o tenho aqui e não vou esperar mais para o encontrar. Vou recomeçar. Cá vão, então.
1-Conforto Encosto-me ao peito de alguém, sentados algures junto a uma parede e a gente Amiga, de céu azul por cima, de braços cruzados entre nós e um sossego que nos conforta.
2-Êxtase Passa a música na rádio e apanha-me distraída. Sobe-me o amor ao peito, ferve e implode porque o corpo não consegue explodir a emoção que o momento transporta.
3-Acaso E, no momento que te sentes viva e feliz por estares ali, começa a chover delicadamente sobre todos. Levantas o olhar para o céu negro, fechas os olhos e sentes-te deslumbrada com o quão oportuno pode ser o acaso.
4-Futuro De cabeça pendida sobre os termos técnicos e datas temerosas, a capacidade de ver para além desses dias, de planear dias leves e felizes, de sorrir com o que vem, com as possibilidades, permitem que o queixo se eleve ligeiramente e se prossiga mais confiante.
5-Imaginação Um ecrã, uma janela, um dia desfalecido e duas pessoas virtualmente juntas. As palavras criam-lhes um novo espaço, um novo tempo, onde há vestidos brancos, pés descalços, corpos voadores ou árvores para se subirem. Surge um novo dia.
6-Memória Nos tempos mortos de espera, fecham-se os olhos e sorri-se ao recordar os detalhes de algumas tampas de iogurte, de um carrossel improvisado à capella à entrada de casa, de um abraço oportuno à despedida, de uma mensagem espontânea ou apenas de uma nuvem.
7-Eu Tenho uma data de nascimento, uns olhos e mãos e nariz e ouvidos e língua e uma vontade imensa de aprender. Nasci e vivo. Sou Alguém que vou descobrindo e construindo com tudo o que tive direito há vinte anos atrás. Eu Existo. E agora... Carpe Diem.
Segue-se, como mandam as regras, a eleição de dois novos bloggistas para elegerem as suas 7 Maravilhas e escolherem outros 2 maravilhados para manterem a cadeia. Proponho, então, ao Bernardo e a ... que se juntem à iniciativa.
(I'll be back... I must.)
sábado, fevereiro 16, 2008
quinta-feira, janeiro 03, 2008
[escrito em Dezembro, desculpem a demora]
(quase uma da manhã, não posso escrever muito… mas cá vai)
Debaixo do pessegueiro. Cá estou, entre os laranjas e amarelos do ar de campo e entre o pólen e dentes de leão que vagueiam neste fim de noite. Estou à espera sem pressa, as cores não vão mudar por agora. Há tempo e há paz e há conforto neste tronco de pessegueiro. Estou só à espera, mas sem ansiedade. Pode não vir, o que quer que seja que eu espero, que não me vou aperceber. É um sítio bonito para estar e eu sorrio porque cheguei aqui e me sentei por baixo do pessegueiro.
E é isto. É um passeio pela madrugada das ruas que já bocejam. É arriscar pela rua da esquerda porque nos lançou o desafio. É sentar no banco do jardim e ver o céu limpo de farrapos. O amor verdadeiro surge assim, numa guitarra amadora e no gato que te espreita no estacionamento do hospital. E eu avanço sorridente porque o vi quando mais ninguém estava a olhar.
E vou esperar junto do pessegueiro porque é lá que vai ter o que espero. Não há mais restaurantes ou pequenas salinhas preenchidas com páginas de letras coloridas e imagens produzidas para esperarmos sós. Não há este amor nos locais intermediários, no intervalo do que se julga viver. Terminaram os tempos mortos. Eu espero aqui num tempo vivo, num sorriso dinâmico. Não evitaram sucumbir as músicas de elevador para nos distrair do fundo oco onde nos arriscamos. Ficaram estes sons, os autênticos, os que nos fazem companhia na espera porque esperamos no sítio certo, onde já existiam e se alastravam. Não há cá fingimentos.
Podes vir que eu posso estar à tua espera para me vires buscar. Sabes onde te esperam? A sombra do pessegueiro é isto. Gostava que estivesses ao meu lado para me confirmares isto. Debaixo do pessegueiro escrevo o amor verdadeiro. O baloiçar com uma musica sussurrada. O olhar seguro e cruzado por entre a luz quente que as cortinas novas trouxeram. O rebolar na areia até à agua e parar para ver uma gaivota cruzar o teu azul favorito. A mão cúmplice que se junta à tua. O olho emocionado e a surpresa completamente inesperada que te obriga a encostares-te à mesa por estares a tremer. A voz que, por alguma razão misteriosa, ressoa em ti e te suaviza. O amor verdadeiro, enfim, este laranja à minha volta que parece feliz por fazer parte desta conversa enquanto espero.
E eu espero aqui por ti. Ia daqui para uma sala de cadeiras fundas e ecrã cinzento ver a projecção correr no pó sobre a minha cabeça, e ouvir a máquina tossir, receber de braços abertos o que me oferece com trabalho e satisfação. Queres vir, certo? Vai saber bem.
Fico por aqui neste escrito que a espera pode ser longa ou curta e há que aproveitá-la. O amor verdadeiro é isto, sabes?, é Ser. E eu sou debaixo deste pessegueiro.
Ai… true love is a trip to Chinatown. Who knows?
Estou aqui a sorrir-me.
(quase uma da manhã, não posso escrever muito… mas cá vai)
Debaixo do pessegueiro. Cá estou, entre os laranjas e amarelos do ar de campo e entre o pólen e dentes de leão que vagueiam neste fim de noite. Estou à espera sem pressa, as cores não vão mudar por agora. Há tempo e há paz e há conforto neste tronco de pessegueiro. Estou só à espera, mas sem ansiedade. Pode não vir, o que quer que seja que eu espero, que não me vou aperceber. É um sítio bonito para estar e eu sorrio porque cheguei aqui e me sentei por baixo do pessegueiro.
E é isto. É um passeio pela madrugada das ruas que já bocejam. É arriscar pela rua da esquerda porque nos lançou o desafio. É sentar no banco do jardim e ver o céu limpo de farrapos. O amor verdadeiro surge assim, numa guitarra amadora e no gato que te espreita no estacionamento do hospital. E eu avanço sorridente porque o vi quando mais ninguém estava a olhar.
E vou esperar junto do pessegueiro porque é lá que vai ter o que espero. Não há mais restaurantes ou pequenas salinhas preenchidas com páginas de letras coloridas e imagens produzidas para esperarmos sós. Não há este amor nos locais intermediários, no intervalo do que se julga viver. Terminaram os tempos mortos. Eu espero aqui num tempo vivo, num sorriso dinâmico. Não evitaram sucumbir as músicas de elevador para nos distrair do fundo oco onde nos arriscamos. Ficaram estes sons, os autênticos, os que nos fazem companhia na espera porque esperamos no sítio certo, onde já existiam e se alastravam. Não há cá fingimentos.
Podes vir que eu posso estar à tua espera para me vires buscar. Sabes onde te esperam? A sombra do pessegueiro é isto. Gostava que estivesses ao meu lado para me confirmares isto. Debaixo do pessegueiro escrevo o amor verdadeiro. O baloiçar com uma musica sussurrada. O olhar seguro e cruzado por entre a luz quente que as cortinas novas trouxeram. O rebolar na areia até à agua e parar para ver uma gaivota cruzar o teu azul favorito. A mão cúmplice que se junta à tua. O olho emocionado e a surpresa completamente inesperada que te obriga a encostares-te à mesa por estares a tremer. A voz que, por alguma razão misteriosa, ressoa em ti e te suaviza. O amor verdadeiro, enfim, este laranja à minha volta que parece feliz por fazer parte desta conversa enquanto espero.
E eu espero aqui por ti. Ia daqui para uma sala de cadeiras fundas e ecrã cinzento ver a projecção correr no pó sobre a minha cabeça, e ouvir a máquina tossir, receber de braços abertos o que me oferece com trabalho e satisfação. Queres vir, certo? Vai saber bem.
Fico por aqui neste escrito que a espera pode ser longa ou curta e há que aproveitá-la. O amor verdadeiro é isto, sabes?, é Ser. E eu sou debaixo deste pessegueiro.
Ai… true love is a trip to Chinatown. Who knows?
Estou aqui a sorrir-me.
segunda-feira, dezembro 31, 2007
(Oh, Laura, é indecente, tanto tempo sem escrever nada, faz favor de compensar isso, sim? Que isto não é só como te apetece. Ou não apetece. Vá, força.)
Mensagem de Ano Novo
Não falo de 2008 hoje. Em vésperas de ano novo ou se fala do ano que passou ou do que aí vem, tudo depende do que se viveu. Quando me desejam um 2008 melhor que o ano que agora termina fico com medo porque não consigo imaginar como será possível.
Sou egoísta e falo de mim, do que 2007 foi para mim. Foi tudo. Começou com promessas de ser memorável e cumpriu. Conclui projectos, reafirmei conquistas e encontrei boas surpresas. Vocês sabem.
Queria agradecer ao mês de Janeiro por me ter trazido um peito inflamado por uns tempos e me ter proporcionado momentos adolescentes que me faziam falta.
Queria agradecer ao mês de Fevereiro pelo projecto musical que se concluiu e que finalmente se difundiu.
Queria agradecer ao mês de Março por ter trazido o mail que 2006 prometera e por me ter apresentado a quem me orientaria nos meses seguintes pelas lides editoriais.
Queria agradecer ao mês de Abril por ter sido um mês tão grande, por me ter trazido uma amizade de longe para bem perto, por a ter tornado ainda mais especial, por nos ter feito partilhar tanta coisa. Agradeço pelos dias marcantes que teve, em especial ao dia em que este blog se tornou mais fisicamente palpável.
Queria agradecer ao mês de Maio por me ter feito começar a quebrar as defesas com quem tenho estado perto durante muito tempo sem se importar com a barreira que mantive.
Queria agradecer ao mês de Junho pela música que me trouxe da América, ela e ele, em momentos distintos e igualmente mágicos.
Queria agradecer ao mês de Julho por ter dado início a uma nova amizade tão importante para mim hoje, por essa amizade ter cuidado de mim ao longo dos dias duros.
Queria agradecer ao mês de Agosto pelas lições que algumas crianças pequenas me deram e pelas viagens que me aliviaram o coração e confortaram a alma.
Queria agradecer ao mês de Setembro por ter construido com tão bons momentos o começo de uma amizade conjunta, que tanta falta me fazia.
Queria agradecer ao mês de Outubro pela surpresa que me fez e me deixou surpreendentemente feliz e confortável em mim e pelas oportunidades de me dissolver no meio académico a que pertenço há já algum tempo...
Queria agradecer ao mês de Novembro pelo susto que me pregou no início e me deixou muda sem saber como agradecer ou abraçar ou sorrir a quem fez tanto por isso. Tanto.
Queria agradecer ao mês de Dezembro por ter concretizado o sonho de uma menina de dez anos que andava tristinha dentro de mim e pelas ocasiões que me proporcionou para me desse como ninguém me vira antes. Por estar completa. Por ter concluido praticamente tudo o que havia por concluir em mim e me deixar receosa do próximo ano.
2008, vem com cuidado para não derrubares o estado frágil e perfeito deste ano. És longo e tens muitas oportunidades para me destruires. Não o faças. Eu vou colaborar contigo. Até já!
Digo-vos de coração cheio, gosto muito de nós. Um bom 2008 para todos!
Mensagem de Ano Novo
Não falo de 2008 hoje. Em vésperas de ano novo ou se fala do ano que passou ou do que aí vem, tudo depende do que se viveu. Quando me desejam um 2008 melhor que o ano que agora termina fico com medo porque não consigo imaginar como será possível.
Sou egoísta e falo de mim, do que 2007 foi para mim. Foi tudo. Começou com promessas de ser memorável e cumpriu. Conclui projectos, reafirmei conquistas e encontrei boas surpresas. Vocês sabem.
Queria agradecer ao mês de Janeiro por me ter trazido um peito inflamado por uns tempos e me ter proporcionado momentos adolescentes que me faziam falta.
Queria agradecer ao mês de Fevereiro pelo projecto musical que se concluiu e que finalmente se difundiu.
Queria agradecer ao mês de Março por ter trazido o mail que 2006 prometera e por me ter apresentado a quem me orientaria nos meses seguintes pelas lides editoriais.
Queria agradecer ao mês de Abril por ter sido um mês tão grande, por me ter trazido uma amizade de longe para bem perto, por a ter tornado ainda mais especial, por nos ter feito partilhar tanta coisa. Agradeço pelos dias marcantes que teve, em especial ao dia em que este blog se tornou mais fisicamente palpável.
Queria agradecer ao mês de Maio por me ter feito começar a quebrar as defesas com quem tenho estado perto durante muito tempo sem se importar com a barreira que mantive.
Queria agradecer ao mês de Junho pela música que me trouxe da América, ela e ele, em momentos distintos e igualmente mágicos.
Queria agradecer ao mês de Julho por ter dado início a uma nova amizade tão importante para mim hoje, por essa amizade ter cuidado de mim ao longo dos dias duros.
Queria agradecer ao mês de Agosto pelas lições que algumas crianças pequenas me deram e pelas viagens que me aliviaram o coração e confortaram a alma.
Queria agradecer ao mês de Setembro por ter construido com tão bons momentos o começo de uma amizade conjunta, que tanta falta me fazia.
Queria agradecer ao mês de Outubro pela surpresa que me fez e me deixou surpreendentemente feliz e confortável em mim e pelas oportunidades de me dissolver no meio académico a que pertenço há já algum tempo...
Queria agradecer ao mês de Novembro pelo susto que me pregou no início e me deixou muda sem saber como agradecer ou abraçar ou sorrir a quem fez tanto por isso. Tanto.
Queria agradecer ao mês de Dezembro por ter concretizado o sonho de uma menina de dez anos que andava tristinha dentro de mim e pelas ocasiões que me proporcionou para me desse como ninguém me vira antes. Por estar completa. Por ter concluido praticamente tudo o que havia por concluir em mim e me deixar receosa do próximo ano.
2008, vem com cuidado para não derrubares o estado frágil e perfeito deste ano. És longo e tens muitas oportunidades para me destruires. Não o faças. Eu vou colaborar contigo. Até já!
Digo-vos de coração cheio, gosto muito de nós. Um bom 2008 para todos!
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Veio o frio e os dias tristes. Veio o nevoeiro e os dedos finos nas luvas que não chegam. Soubesses tu o peso que carrego por ti e não me porias o braço por cima. Sorris e escondes os olhos. E eu sigo-te que me deixas bem. Não sou cega nem vejo aureas, não sinto presságios ou utopias no corpo. Sorrio contigo e não para ti. Não compreendes a distância que nos imponho em dias como este, não o permitiria. Estou fria como a sala e não te olho hoje. Vi-te onde não te devia ter visto e a lembrança do peso voltou. O peso e a languidez do meu olhar. Turvo. Não te quero escrever e aqui está o texto. Não te quero lembrar e aqui está a prova da minha impotência. És tu e eu não sei quem sou, de novo. Amanhã acordarei mais perto de ti e mais longe de nós. Dias cinzentos e sonhos amargos. A outra.
sábado, novembro 17, 2007
Eu queria agradecer, mas este ano, não sei o que se passou, fugiram-me as palavras que andavam sempre tão pertinho de mim. Deve ter sido do susto. Ainda tenho de recuperar. Eu vou fazê-lo, como sempre fiz e como tenho de fazer, mas na altura certa, quando recuperar o fôlego, quando for digno do vosso gesto.
[No dia seguinte, É possível ser mais feliz? passou por dentro de mim a correr e eu sorri]
*Speechless*
[No dia seguinte, É possível ser mais feliz? passou por dentro de mim a correr e eu sorri]
*Speechless*
sábado, outubro 20, 2007
Deixa-o que não te quer
Ele já te viu de lenço ao nariz
e de olhos constipados
Como poderia...?
Já te riste despropositadamente
e ele já te corrigiu várias vezes
É bom amigo
e amigo não quer amigo
perto demais que deixe de o ver
Esquece-o que não sonha contigo
nem tu com ele
estás apenas só e triste
e viste-o sorrir-te naquele dia
Acorda e finge que não aconteceu
porque quem te ama sou eu.
Ciúmes?!
Alguma vez...!
Pronto.
Talvez...
A. Dionísio 29/01/07
[e com uma cena de ciúmes, o Dionísio desapareceu...]
Ele já te viu de lenço ao nariz
e de olhos constipados
Como poderia...?
Já te riste despropositadamente
e ele já te corrigiu várias vezes
É bom amigo
e amigo não quer amigo
perto demais que deixe de o ver
Esquece-o que não sonha contigo
nem tu com ele
estás apenas só e triste
e viste-o sorrir-te naquele dia
Acorda e finge que não aconteceu
porque quem te ama sou eu.
Ciúmes?!
Alguma vez...!
Pronto.
Talvez...
A. Dionísio 29/01/07
[e com uma cena de ciúmes, o Dionísio desapareceu...]
Não soubeste o que responder
Diz que sim, meu bem, não tenhas medo
Eu posso estar aí
Posso ser diferente
Posso ser, não o que procuras,
Mas o que precisas
Ninguém tem de saber
Não há termos, não há leis,
não há ninguém a olhar por nós
Não recuses um céu limpo
a cobrir-te o corpo vazio
numa praia deserta
e uma companhia presente
Talvez eu possa estar aí
A. Dionísio 08/06
Diz que sim, meu bem, não tenhas medo
Eu posso estar aí
Posso ser diferente
Posso ser, não o que procuras,
Mas o que precisas
Ninguém tem de saber
Não há termos, não há leis,
não há ninguém a olhar por nós
Não recuses um céu limpo
a cobrir-te o corpo vazio
numa praia deserta
e uma companhia presente
Talvez eu possa estar aí
A. Dionísio 08/06
Hoje não te amo
Hoje acordaste, olhaste o espelho e não te viste
Acreditas que és aquela criatura assombrada
Aqueles olhos vermelhos naquele fundo negro
Aquele cabelo louco, aquela moleza de corpo
Julgas que és fraca, que não sabes subir
E nem pensas tentar sequer
Hoje queres acreditar que és menor,
Que não importas, que ninguém te vê
E eu hoje não te amo
Porque assim o pediste
Logo que conseguires
acorda, olha o espelho e, se não te vires,
se te reencontrares com a distorção de hoje,
não fujas, olha de novo
e encontra-te realmente
vê a doçura que o azul do teu olhar transborda,
a figura cativante que te carrega a alma,
levanta-te, sorri para a criatura,
grita-lhe "não sou tu, sou alguém maior"
E a criatura desvanecerá
E eu amar-te-ei
Não porque me pedes
Mas porque assim tem de ser
A. Dionísio 13/09/06
Hoje acordaste, olhaste o espelho e não te viste
Acreditas que és aquela criatura assombrada
Aqueles olhos vermelhos naquele fundo negro
Aquele cabelo louco, aquela moleza de corpo
Julgas que és fraca, que não sabes subir
E nem pensas tentar sequer
Hoje queres acreditar que és menor,
Que não importas, que ninguém te vê
E eu hoje não te amo
Porque assim o pediste
Logo que conseguires
acorda, olha o espelho e, se não te vires,
se te reencontrares com a distorção de hoje,
não fujas, olha de novo
e encontra-te realmente
vê a doçura que o azul do teu olhar transborda,
a figura cativante que te carrega a alma,
levanta-te, sorri para a criatura,
grita-lhe "não sou tu, sou alguém maior"
E a criatura desvanecerá
E eu amar-te-ei
Não porque me pedes
Mas porque assim tem de ser
A. Dionísio 13/09/06
sexta-feira, outubro 19, 2007
[Como paga de tanto tempo sem escrever, digo-vos agora: acho que chegou a altura. Cá vai então. *figas*]
Anja
Não tens corpo
Não és mulher
e não és anjo.
Não te ris com elas
nem com o olhar fixo deles em ti
Eles não te fixam.
Não vês cores nem tons
em vestidos ou trapos pirosos
Não vês filmes pelo actor principal
Não te embonecas, não te enfeitas
Não te penduras neles, não os desejas
Estás só e amas
o mundo
Não compreendes o fascínio
pela tua aurea branca
pelo teu olhar claro
pela tua divina serenidade
A pele foge do toque
Mas tantas almas foram tocadas
por ti
Presente, mas à distância
Estás só e entre
nós
Mas não és luz
e não voas.
Não surges apenas em delírios
Não fazes milagres contemporâneos.
Também te atingem,
Sofres de prantos, lamúrias,
vergonhas e raivas
Vives connosco e
arriscas-te a queimar
as asas quebradas.
Não podes ser anjo
nem sequer mulher
Estás só, como
Nenhum dos mundos te quer
A. Dionísio 24/06/06
[heterónimo que criei e que na altura andava a escrever melhor que eu... Há mais uns quantos poemas, vou mostrá-los nos tempos próximos]
Anja
Não tens corpo
Não és mulher
e não és anjo.
Não te ris com elas
nem com o olhar fixo deles em ti
Eles não te fixam.
Não vês cores nem tons
em vestidos ou trapos pirosos
Não vês filmes pelo actor principal
Não te embonecas, não te enfeitas
Não te penduras neles, não os desejas
Estás só e amas
o mundo
Não compreendes o fascínio
pela tua aurea branca
pelo teu olhar claro
pela tua divina serenidade
A pele foge do toque
Mas tantas almas foram tocadas
por ti
Presente, mas à distância
Estás só e entre
nós
Mas não és luz
e não voas.
Não surges apenas em delírios
Não fazes milagres contemporâneos.
Também te atingem,
Sofres de prantos, lamúrias,
vergonhas e raivas
Vives connosco e
arriscas-te a queimar
as asas quebradas.
Não podes ser anjo
nem sequer mulher
Estás só, como
Nenhum dos mundos te quer
A. Dionísio 24/06/06
[heterónimo que criei e que na altura andava a escrever melhor que eu... Há mais uns quantos poemas, vou mostrá-los nos tempos próximos]
segunda-feira, setembro 24, 2007
Escrevê-lo.
Tenho saudades de uma bicicleta,
das torradas no café da baixa e
dos pombos na minha mão.
Tenho saudades do canto do liceu,
dos desenhos nos livros em aulas e
dos segredos nos nossos gestos timidos.
Falta-me a certeza doutros tempos,
o amor irreal que já me prometeram e
a inconsciência sobre a seriedade das coisas.
Mas, sim, sou feliz.
Um poema não se escreve às minhas
mãos. Sou timida com algum protagonismo
e o poema é demasiado vaidoso para
surgir imperfeito. Por isso, resta-me
escrever assim e desabafar sobre a
teimosia dos magníficos poemas
que tenho escondidos em mim.
Porque eles lá estão, que os sinto,
ainda sem palavras, é certo, mas estão lá.
Só que são teimosos e não vão surgir.
Lamento.
A dimensão e forma dos meus escritos são apenas
definidos pelo espaço e disposição possível no papel de serviço.
Tenho saudades de uma bicicleta,
das torradas no café da baixa e
dos pombos na minha mão.
Tenho saudades do canto do liceu,
dos desenhos nos livros em aulas e
dos segredos nos nossos gestos timidos.
Falta-me a certeza doutros tempos,
o amor irreal que já me prometeram e
a inconsciência sobre a seriedade das coisas.
Mas, sim, sou feliz.
Um poema não se escreve às minhas
mãos. Sou timida com algum protagonismo
e o poema é demasiado vaidoso para
surgir imperfeito. Por isso, resta-me
escrever assim e desabafar sobre a
teimosia dos magníficos poemas
que tenho escondidos em mim.
Porque eles lá estão, que os sinto,
ainda sem palavras, é certo, mas estão lá.
Só que são teimosos e não vão surgir.
Lamento.
A dimensão e forma dos meus escritos são apenas
definidos pelo espaço e disposição possível no papel de serviço.
não decido nada sozinha
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