segunda-feira, dezembro 31, 2007

(Oh, Laura, é indecente, tanto tempo sem escrever nada, faz favor de compensar isso, sim? Que isto não é só como te apetece. Ou não apetece. Vá, força.)

Mensagem de Ano Novo

Não falo de 2008 hoje. Em vésperas de ano novo ou se fala do ano que passou ou do que aí vem, tudo depende do que se viveu. Quando me desejam um 2008 melhor que o ano que agora termina fico com medo porque não consigo imaginar como será possível.
Sou egoísta e falo de mim, do que 2007 foi para mim. Foi tudo. Começou com promessas de ser memorável e cumpriu. Conclui projectos, reafirmei conquistas e encontrei boas surpresas. Vocês sabem.
Queria agradecer ao mês de Janeiro por me ter trazido um peito inflamado por uns tempos e me ter proporcionado momentos adolescentes que me faziam falta.
Queria agradecer ao mês de Fevereiro pelo projecto musical que se concluiu e que finalmente se difundiu.
Queria agradecer ao mês de Março por ter trazido o mail que 2006 prometera e por me ter apresentado a quem me orientaria nos meses seguintes pelas lides editoriais.
Queria agradecer ao mês de Abril por ter sido um mês tão grande, por me ter trazido uma amizade de longe para bem perto, por a ter tornado ainda mais especial, por nos ter feito partilhar tanta coisa. Agradeço pelos dias marcantes que teve, em especial ao dia em que este blog se tornou mais fisicamente palpável.
Queria agradecer ao mês de Maio por me ter feito começar a quebrar as defesas com quem tenho estado perto durante muito tempo sem se importar com a barreira que mantive.
Queria agradecer ao mês de Junho pela música que me trouxe da América, ela e ele, em momentos distintos e igualmente mágicos.
Queria agradecer ao mês de Julho por ter dado início a uma nova amizade tão importante para mim hoje, por essa amizade ter cuidado de mim ao longo dos dias duros.
Queria agradecer ao mês de Agosto pelas lições que algumas crianças pequenas me deram e pelas viagens que me aliviaram o coração e confortaram a alma.
Queria agradecer ao mês de Setembro por ter construido com tão bons momentos o começo de uma amizade conjunta, que tanta falta me fazia.
Queria agradecer ao mês de Outubro pela surpresa que me fez e me deixou surpreendentemente feliz e confortável em mim e pelas oportunidades de me dissolver no meio académico a que pertenço há já algum tempo...
Queria agradecer ao mês de Novembro pelo susto que me pregou no início e me deixou muda sem saber como agradecer ou abraçar ou sorrir a quem fez tanto por isso. Tanto.
Queria agradecer ao mês de Dezembro por ter concretizado o sonho de uma menina de dez anos que andava tristinha dentro de mim e pelas ocasiões que me proporcionou para me desse como ninguém me vira antes. Por estar completa. Por ter concluido praticamente tudo o que havia por concluir em mim e me deixar receosa do próximo ano.
2008, vem com cuidado para não derrubares o estado frágil e perfeito deste ano. És longo e tens muitas oportunidades para me destruires. Não o faças. Eu vou colaborar contigo. Até já!

Digo-vos de coração cheio, gosto muito de nós. Um bom 2008 para todos!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Veio o frio e os dias tristes. Veio o nevoeiro e os dedos finos nas luvas que não chegam. Soubesses tu o peso que carrego por ti e não me porias o braço por cima. Sorris e escondes os olhos. E eu sigo-te que me deixas bem. Não sou cega nem vejo aureas, não sinto presságios ou utopias no corpo. Sorrio contigo e não para ti. Não compreendes a distância que nos imponho em dias como este, não o permitiria. Estou fria como a sala e não te olho hoje. Vi-te onde não te devia ter visto e a lembrança do peso voltou. O peso e a languidez do meu olhar. Turvo. Não te quero escrever e aqui está o texto. Não te quero lembrar e aqui está a prova da minha impotência. És tu e eu não sei quem sou, de novo. Amanhã acordarei mais perto de ti e mais longe de nós. Dias cinzentos e sonhos amargos. A outra.

sábado, novembro 17, 2007

Eu queria agradecer, mas este ano, não sei o que se passou, fugiram-me as palavras que andavam sempre tão pertinho de mim. Deve ter sido do susto. Ainda tenho de recuperar. Eu vou fazê-lo, como sempre fiz e como tenho de fazer, mas na altura certa, quando recuperar o fôlego, quando for digno do vosso gesto.

[No dia seguinte, É possível ser mais feliz? passou por dentro de mim a correr e eu sorri]

*Speechless*

sábado, outubro 20, 2007

Deixa-o que não te quer
Ele já te viu de lenço ao nariz
e de olhos constipados
Como poderia...?
Já te riste despropositadamente
e ele já te corrigiu várias vezes
É bom amigo
e amigo não quer amigo
perto demais que deixe de o ver
Esquece-o que não sonha contigo
nem tu com ele
estás apenas só e triste
e viste-o sorrir-te naquele dia
Acorda e finge que não aconteceu
porque quem te ama sou eu.

Ciúmes?!
Alguma vez...!

Pronto.
Talvez...


A. Dionísio 29/01/07

[e com uma cena de ciúmes, o Dionísio desapareceu...]
Não soubeste o que responder
Diz que sim, meu bem, não tenhas medo
Eu posso estar aí
Posso ser diferente
Posso ser, não o que procuras,
Mas o que precisas
Ninguém tem de saber
Não há termos, não há leis,
não há ninguém a olhar por nós
Não recuses um céu limpo
a cobrir-te o corpo vazio
numa praia deserta
e uma companhia presente
Talvez eu possa estar aí


A. Dionísio 08/06
Hoje não te amo
Hoje acordaste, olhaste o espelho e não te viste
Acreditas que és aquela criatura assombrada
Aqueles olhos vermelhos naquele fundo negro
Aquele cabelo louco, aquela moleza de corpo
Julgas que és fraca, que não sabes subir
E nem pensas tentar sequer
Hoje queres acreditar que és menor,
Que não importas, que ninguém te vê
E eu hoje não te amo
Porque assim o pediste
Logo que conseguires
acorda, olha o espelho e, se não te vires,
se te reencontrares com a distorção de hoje,
não fujas, olha de novo
e encontra-te realmente
vê a doçura que o azul do teu olhar transborda,
a figura cativante que te carrega a alma,
levanta-te, sorri para a criatura,
grita-lhe "não sou tu, sou alguém maior"
E a criatura desvanecerá
E eu amar-te-ei
Não porque me pedes
Mas porque assim tem de ser

A. Dionísio 13/09/06

sexta-feira, outubro 19, 2007

[Como paga de tanto tempo sem escrever, digo-vos agora: acho que chegou a altura. Cá vai então. *figas*]

Anja

Não tens corpo
Não és mulher
e não és anjo.

Não te ris com elas
nem com o olhar fixo deles em ti
Eles não te fixam.
Não vês cores nem tons
em vestidos ou trapos pirosos
Não vês filmes pelo actor principal
Não te embonecas, não te enfeitas
Não te penduras neles, não os desejas
Estás só e amas
o mundo

Não compreendes o fascínio
pela tua aurea branca
pelo teu olhar claro
pela tua divina serenidade
A pele foge do toque
Mas tantas almas foram tocadas
por ti
Presente, mas à distância
Estás só e entre
nós

Mas não és luz
e não voas.
Não surges apenas em delírios
Não fazes milagres contemporâneos.
Também te atingem,
Sofres de prantos, lamúrias,
vergonhas e raivas
Vives connosco e
arriscas-te a queimar
as asas quebradas.

Não podes ser anjo
nem sequer mulher
Estás só, como
Nenhum dos mundos te quer

A. Dionísio 24/06/06

[heterónimo que criei e que na altura andava a escrever melhor que eu... Há mais uns quantos poemas, vou mostrá-los nos tempos próximos]

segunda-feira, setembro 24, 2007

Escrevê-lo.



Tenho saudades de uma bicicleta,
das torradas no café da baixa e
dos pombos na minha mão.
Tenho saudades do canto do liceu,
dos desenhos nos livros em aulas e
dos segredos nos nossos gestos timidos.
Falta-me a certeza doutros tempos,
o amor irreal que já me prometeram e
a inconsciência sobre a seriedade das coisas.
Mas, sim, sou feliz.




Um poema não se escreve às minhas
mãos. Sou timida com algum protagonismo
e o poema é demasiado vaidoso para
surgir imperfeito. Por isso, resta-me
escrever assim e desabafar sobre a
teimosia dos magníficos poemas
que tenho escondidos em mim.
Porque eles lá estão, que os sinto,
ainda sem palavras, é certo, mas estão lá.
Só que são teimosos e não vão surgir.
Lamento.




A dimensão e forma dos meus escritos são apenas
definidos pelo espaço e disposição possível no papel de serviço.
não decido nada sozinha

terça-feira, agosto 28, 2007

Não tenho nada para dizer
Não vivo em guerra
Não me perseguem
E o meu país não me cala
Não morro de amores
Não fui traída
Nem perdi ninguém
Não tenho palavras de ordem
Lutas por causas esquecidas
Ou uma aldeia para recordar
Sou só cidade, monotonia e razão
Sou amiga e orgulhosa
Tenho roupas e um futuro
Tenho tempo para desperdiçar
Só me restam poetas aplaudidos
Amizades a enaltecer
E uma felicidade imensa
Por esta vida rica em
Coisas…

[poema já com uns meses, mas que só agora relembrei]

quarta-feira, agosto 15, 2007

És o meu espelho

O abraço que derruba
O olhar do fundo
O sorriso puro
A doçura das palavras escolhidas
O nosso amor...
As horas tardias
O cheiro na mão esquerda

És o meu segredo

Vêm as palavras arduas,
os gestos ásperos,
a mágoa da distância,
a solidão do tempo,

mas tu estás cá dentro
e eu sorrio para mim
porque

és a minha certeza