O sorriso largo e o abraço no primeiro instante cruzado.
O chá francófono que serena.
O telefonema para que o cuidado não seja esquecido.
O toque no ombro e o diminutivo no nome.
A questão.
Tudo bem?
Os olhares mais longos.
E a palavra formal que embrulha o mimo latente.
Curativos.
Já estou melhor, obrigada.
sexta-feira, outubro 11, 2013
terça-feira, outubro 08, 2013
What you can bear
Pedi ajuda.
Não me recordo de dias assim. Uma angústia constante mantém-me inerte ao longo da jornada, sempre rindo quando o assunto é demasiado duro para o viver em pleno sem o choro. É a minha protecção. Sorrio, rindo-me do absurdo da situação, fingindo que passo por ela com uma força surpreendente, como se fosse o esperado, como se nada fosse.
Mas é. E vejo-o nos olhos de quem o vive comigo, de quem ouve relatos e acrescenta a sua própria tragédia à comédia destes dias. E eu rio, porque não há mais nada a fazer.
Até que ela compreende que não tenho apenas uma capacidade notável para sorrir. Expõe-me a fragilidade e eu tropeço. Quase que caí nas lágrimas abafadas da minha dor, mas ri ainda mais e fugi pelas portas que me deixaram abertas. Não falei da dor. Não podia, não ali, não em funções laborais.
O que é certo é que me validaram a dor. É agora permitido perguntar como tenho passado, se me sinto melhor, como estou. E agora compreendo que mereço sofrer.
Mereço chorar a angústia destes dias duros, das más noticias, da soma das dificuldades, da manutenção das problemáticas. Agora que me perguntam, tenho de o chorar.
O luto.
Os lutos.
Não me recordo de dias assim. Uma angústia constante mantém-me inerte ao longo da jornada, sempre rindo quando o assunto é demasiado duro para o viver em pleno sem o choro. É a minha protecção. Sorrio, rindo-me do absurdo da situação, fingindo que passo por ela com uma força surpreendente, como se fosse o esperado, como se nada fosse.
Mas é. E vejo-o nos olhos de quem o vive comigo, de quem ouve relatos e acrescenta a sua própria tragédia à comédia destes dias. E eu rio, porque não há mais nada a fazer.
Até que ela compreende que não tenho apenas uma capacidade notável para sorrir. Expõe-me a fragilidade e eu tropeço. Quase que caí nas lágrimas abafadas da minha dor, mas ri ainda mais e fugi pelas portas que me deixaram abertas. Não falei da dor. Não podia, não ali, não em funções laborais.
O que é certo é que me validaram a dor. É agora permitido perguntar como tenho passado, se me sinto melhor, como estou. E agora compreendo que mereço sofrer.
Mereço chorar a angústia destes dias duros, das más noticias, da soma das dificuldades, da manutenção das problemáticas. Agora que me perguntam, tenho de o chorar.
O luto.
Os lutos.
domingo, setembro 29, 2013
Proteção
Falta-me o meu espaço. Talvez seja desta.
Corre tanto por mim que não consigo parar para o escrever. Sinto-me zonza. Sinto-me adormecida enquanto me empurram para que não pare. Não vou parar.
Tens escrito? É isso, disseram-me. Falta-me esse tempo, esse escape. Sou apenas os dias que percorro, o pão que compro e o curativo que aplico. Sou o horário, a gasolina, os e-mails e o jogo no tablet quando a solidão o pede.
Não quero regressar ao marasmo de outros dias. Não me posso voltar a perder.
Corre tanto por mim que não consigo parar para o escrever. Sinto-me zonza. Sinto-me adormecida enquanto me empurram para que não pare. Não vou parar.
Tens escrito? É isso, disseram-me. Falta-me esse tempo, esse escape. Sou apenas os dias que percorro, o pão que compro e o curativo que aplico. Sou o horário, a gasolina, os e-mails e o jogo no tablet quando a solidão o pede.
Não quero regressar ao marasmo de outros dias. Não me posso voltar a perder.
quarta-feira, abril 24, 2013
Que se lixe
Que se lixem os professores
Pouco médicos, muito doutores
Que se lixem as ansiedades
As brancas, as caganeiras, as epigastralgias
Que se lixe a bata,
O esteto e as gasimetrias
Que se lixe o desemprego e o futuro
Que o curso já foi muito duro
P
Pouco médicos, muito doutores
Que se lixem as ansiedades
As brancas, as caganeiras, as epigastralgias
Que se lixe a bata,
O esteto e as gasimetrias
Que se lixe o desemprego e o futuro
Que o curso já foi muito duro
P
(encontrei-o assim, inacabado, o poema com que tanto sonhara há uns meses atrás. Seria a celebração da vida que conquistara. Ficou assim, inacabado. Mas ficou e ficará por cá.)
Dia do Livro. Uma homenagem ao livro. Uma homenagens aos autores. Uma homenagem à escrita.
De vez em quando, o aperto regressa. Vejo uma jovem escritora falar na televisão e ele volta. Estou atrasada, penso, estou a perder tempo. Porque eu sou palavras e é assim que me exprimo. É por aqui que tiro tudo isto cá de dentro.
Disse-me o meu avô, curioso como já não te tens virado para a escrita agora que te sentes realizada profissionalmente. O aperto desperta e relembra-me que ainda lá está e que esta distância já se nota. Não sinto menos necessidade de escrever. Não é a minha realização profissional que me tira a vontade e o gosto da escrita. Aliás, isso nunca desaparece. Apenas adormece, à força. Até porque, cá no fundo, sei que a realização profunda se encontra aqui. Nas palavras. As escritas.
Enquanto preparava a folha eletrónica onde escrever, apercebi-me que já não tenho um caderno à mão para estas ocasiões. Já não o pondero, será? Já espero que o ecrã me resolva a necessidade. Fio-me que a necessidade espera até ao ecrã estar disponível ou que, até lá, se evapore. Se esqueça. Como tantas vezes antes.
Estou, talvez, numa fase intermédia. Não me voltaram a surgir estórias à cabeça. Por vezes, versos de um poema inacabado e indefinido. Não sei, portanto, o que escrever. Não tenho estrutura. Tenho ideias, algumas suposições, algumas reflexões. Curioso como sempre foram as que mais me custaram. Tomar partido. Opinar. Talvez seja isso, a necessidade de opinar que resiste à escrita pelo medo de abalar. Estará pois na altura de ser mais do que uma descrição dos atos.
Enfim, regressemos aos livros. Contabilizei os que me passaram pela frente. Mais de uma centena de obras, sem contar com os primórdios da leitura. Uma aventura, um triângulo jota e muitas agatha christie’s. Recordo quando ainda não compreendia a piada de um livro sem ilustrações. Uma por capítulo bastava-me. Depois, a ilustração desapareceu discretamente do papel e voou para a imaginação das palavras vivas. Li O Mundo de Sofia em três dias, sem medo da leitura sôfrega. Foi aí, senti, que a espiral começou. Muito pouco tempo depois, tropecei na Insustentável Leveza do Ser. Fiquei dormente durante semanas, mas desperta para um mundo novo, interior e exterior. A rebelião das palavras que fui sugando contrastavam com a castração interna sobre uma adolescência assoberbante. Bebi de tudo, procurando não transbordar. Fui maior por tudo isso. Sou maior por tudo isso.
Julgo que perdi a capacidade esponjosa da altura. Talvez seja o tempo que me escapa, o mundano que me ocupa, a responsabilidade que me desresponsabiliza. O que é facto, é que já não fico serões sozinha no quarto, escrevendo um pequeno texto durante horas. Já não estou tão só. Já não escrevo durante horas. Mas quero-o tanto. Preciso tanto. Preciso de escrever. Preciso de saber o que escrever. Até lá, regresso ao tema de sempre. A escrita.
sábado, março 23, 2013
O corpo tem dado sinais de si, das internalizações constantes, das angústias crescentes. Nada de mais, é certo, mas tudo pesa, tudo ocupa. E, ao procurar saída, escoo para aqui. No fundo, a casa das minhas raízes.
O que tem sido afinal? Um regresso. O pé que pousa finalmente, depois do passo largo dado. Pousa e regresso a mim, inteira. Passado e presente, um só em direção ao futuro. Construindo-o. Eu, hoje, como eu, ontem, há uns anos, quando o peito pulsava forte e as palavras jorravam com intensidade. Eu, intensa, a invadir o eu de hoje.
E se precisar de ajuda, serei capaz de a pedir?
Pensei hoje, já tive 20 anos. Já tive 21 anos. Já tive 22 e 23. Até já tive 24. Ficou apenas a dormência desses números. Não os recordo. Perdi a minha idade. É preciso celebrá-la de novo, para marcar a memória de comoção e relevância. Preciso celebrar-me. A sério.
terça-feira, janeiro 01, 2013
Os desejos? Que se acorde. Que se releiam os livros de História e se aprenda. Que se façam as contas de casa, as contas dos pequenos números, para que as contas dos grandes se reajustem. Que não sejam hipócritas. O negócio não leva os miúdos à escola nem prepara o bacalhau da consoada.
Só quero oportunidade. Porque, cá por casa, tenho pouco mais que desejar.
quarta-feira, dezembro 26, 2012
Para onde foram todos? E a alegria que comportavam? Não chove e nem sequer há nuvens a cobrir-nos o céu. Não nos pesa o corpo assim tanto, a idade ainda é curta. E, mesmo assim, fugimos. Ou talvez nos tenham afugentado. O certo é que não sorrimos. Desiludimo-nos. Desistimos. Somos jovens e já não temos força. E a distância que nos falta percorrer, essa sim, pesa.
Sozinha não consigo. Também preciso de alguém. Para onde foram todos?
sábado, dezembro 22, 2012
Lembro-me bem de como era estar do lado de lá, quando eram os meus dedos nas cordas. Pergunto-me se quem hoje toca para nós tem desmontada a canção tal como eu tenho todas aquelas que construímos na altura.
Primeiro aqueles quatro tempos, em que os dedos permanecem nesta posição, neste compasso, neste movimento repetido. Depois somaremos os graves. Segue-se o bloco dos acordes completos, um dois três quatro, muda. Repete. Prevejo a distância do fim, quando mais ninguém na sala o conhece para além de nós, os criadores. Desenleamos o som num fio que cada um de nós não consegue escutar, não individualmente, não enquanto permanecermos neste posto de desenleio. Oiço as minhas entradas, o compasso, sigo a linha por onde tenho de escrever com cuidado e pormenor. Oiço até cada nota ao lado, cada tropeção de dedos, cada som abafado. Chego ao fim e respiro. Não escutei nada mais que as partes. Não conheço o todo. Saberei um dia ouvi-lo depois de o desmontar assim?
Hoje, concentro-me, não quero apenas a soma das partes. Hoje, que não tenho os dedos nas cordas, guardo-me o privilégio de conhecer o todo.
sábado, dezembro 15, 2012
Parece que tenho medo. Como se desta vez importasse a forma como escrevo. Não importa, nunca importou. Importa que escreva.
Devem ser os outros regressos que me tornam aqui. Pus o Jeff a cantar. Pergunto-me, como pergunto sempre que o oiço de novo, porque fiquei tanto tempo sem ele. O peito aperta durante toda a audição. Ainda sou isto.
Preciso de tempo e de solidão para escrever. Os dias felizes não têm ajudado. Que o futuro não se esqueça que pertenço aqui, uma vez por outra.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
