quarta-feira, setembro 13, 2006

Irritam-me pessoas que escrevem muito devagar ao computador.
Irritam-me pessoas que se recusam a tirar fotografias.
Irritam-me pessoas que estão sempre a tirar fotografias.
Irritam-me pessoas catastrofistas.
Irritam-me pessoas que dão demasiadas lições de moral.
Irritam-me pessoas que suspiram muitas vezes.
Irritam-me pessoas que dizem dizem palavrões todas as frases.
Irritam-me pessoas que me pedem desculpa depois de dizerem um palavrão.
Irritam-me pessoas que acreditam que estão sempre doentes.
Irritam-me pessoas que dizem "eu sou assim" para se desculparem.
Irritam-me pessoas que dizem que a culpa é sempre do governo.
Irritam-me pessoas que só sabem dizer mal do seu país.
Irritam-me pessoas que falam como se esperassem palmas no fim do discurso.
Irritam-me pessoas intriguistas.
Irritam-me pessoas cegas pela sua religião.
Irritam-me pessoas como o Ricardo Reis.
Irritam-me pessoas que são falsamente diferentes.
Irritam-me pessoas que dizem "percebes?" muitas vezes quando falam comigo.
Irritam-me pessoas que não são capazes de decidir uma coisa simples.
Irritam-me pessoas que dizem piadas para serem considerados fixes.
Irritam-me pessoas pouco práticas.
Irritam-me pessoas que falam de um assunto sem saberem nada dele -armchair critics-.
Irritam-me pessoas que se recusam a escrever com uma caneta azul.
Irritam-me pessoas que desejam sempre algo que não podem ter nem lhes convém.
Irritam-me pessoas que me dizem os benefícios do alcool.
Irritam-me pessoas que não aceitam os gostos dos outros.
Irritam-me pessoas que gozam outras e não sabem parar quando lhes pedem.
Irritam-me pessoas que adoram mostrar que sabem mais que as outras.
Irritam-me pessoas que dizem "erm..." como se fosse tudo óbvio.
Irritam-me pessoas que chegam sempre atrasadas e não se importam com isso.
Irritam-me pessoas com a mania da conspiração e da perseguição.
Irritam-me pessoas fanáticas por uma banda qualquer. Histéricos.
Irritam-me pessoas que sabem tudo sobre futebol.
Irritam-me pessoas que não sabem nada de futebol.
Irritam-me pessoas demasiado previsíveis.
Enfim, irritam-me pessoas... Felizmente, sou uma pessoa muito tolerante!

[estas listas são giras, vou ver se faço mais]
Gosto muito de ti. Apetece-me dizer-te isto hoje. Como se tivesse bebido muito e o alcool me obrigasse a proclamar o meu amor. Preciso de um abraço teu, dar-te um beijo na face como nunca soube fazer. Queria olhar-te um longo tempo, sentir-me feliz por ainda estares comigo apesar do meu embaraço em certos momentos, e dizer-te nos olhos "gosto muito de ti". Gosto mesmo, ensinas-me muito, obrigas-me a ser mais do que alguma vez fui. Levas-me a ser feliz. Pegas em mim, dás-me corda e deixas-me voar. Ainda bato muito mal as asas, como vês, mas já vou tentando. E tu sorris-me de volta, encorajas-me, ris-te de mim e eu também.

Sabes, gosto mesmo muito de ti.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Uma pessoa dá o seu melhor e ainda ouve coisas destas...
Uma pessoa cuida tão bem de si e depois acontece cada coisa...
Uma pessoa quer ser alguém e não a deixam...
Uma pessoa sente-se mal, mas a vida continua...

Eu dou o meu melhor. Não me olhem assim.

[Não te olhes assim, Laura.]

sexta-feira, setembro 01, 2006

Camões de T-Shirt

Era uma vez um poeta português
Chamava-se Luiz Vaz e era bom rapaz
Decidiu voltar ao seu país à beira mar
Depois de muitos anos longe dos lusitanos
Voltou a Lisboa, numa manhã muito boa
Em que o sol queimava e a gente aproveitava
Para passear as famílias e comprar
Souvenirs, prendas, roupas e merendas
Com quase nada, Luiz viu-se na Baixa agitada
E logo se espantou com o que encontrou
Tanta gente! Ninguém o vê, até que de repente
Um homem surge, diz que o tempo urge,
Que tem Sida, precisa de ajuda para uma ida
Ao tratamento, precisa de financiamento
Luiz não compreende, diz que dele não depende
Vai-se embora, segue rua fora
Vira na primeira esquina para fugir à menina
Que vinha na sua direcção com papéis na mão
"Só uma perguntita...", "Não, senhorita!"
Luiz sobe a rua, vê uma rapariga quase nua
"Nunca hei-de olvidar tanta pele ao ar!
Que roupa tão pouca, que criança tão louca."
Descobre entusiasmado os Armazéns do Chiado
E depois de se maravilhar com umas escadas a andar
Encontra o paraíso humano, o comércio leviano!
Vitaminas e Companhia, Sr. Frango à Guia
Sephora, 5 à Sec, Bijou, e o famoso Mac
Springfield, na moda, Intimissimi, cabeça à roda
Até que se descobre num lugar mágico e nobre:
A Fnac maravilhosa! Cheia de cultura tão saborosa!
Pediu ajuda a um rapaz jovial para ouvir música nacional
Deslumbrou-se com Donna Maria, Clã, Mesa, que alegria
Com Toranja, Pluto, Xutos, dançou como um puto
A Naifa, Amália, Mariza, o fado como sua nova poetisa
Estonteado com o poder que a música conseguia manter
Seguiu para a literatura, o expoente da sua cultura
Leu Queiroz, Caeiro, Garret, Saramago, um aventureiro
E que surpresa na poesia de mulheres como Espanca ou Sophia
Torga, Bocage, Pessoa... O tempo voa
E não pode ficar para sempre naquele lugar
Luiz sai de novo e admira o seu povo
"Olha o Camões de t-shirt!" grita um DZRT
"Aprende a cantar, rapaz!" aconselha-o Luiz Vaz
Segue a rua que sobe, à esquerda um pedinte com robe
Um homem com roupas estranhas que cospe fogo das entranhas
Até que encontra Pessoa sentado, seu novo amigo bronzeado
Mete conversa, não tem muita pressa
"Como está, amigo? Nem sabe o que se passou comigo...
Vim do céu eterno visitar o meu país moderno
Qual ouro, qual riqueza! Tanta gente, tanta surpresa!
Que vida estonteante tem este país impressionante!
Tenho de voltar mais vezes, como aqueles turistas ingleses
Alguém espera ansioso que liberte este lugar precioso
Deve querer uma fotografia consigo, meu caro amigo.
Não o incomodo mais, até sempre, saudações cordiais!"
E, seguindo a direcção do olhar do seu poema irmão,
descobre uma gelataria tão doce como Virgem-Maria
"Oh, que aspecto divinal! Quero um gelado monumental!"
E assim Luiz Vaz, a comer até não ser mais capaz,
Termina a sua viagem pela capital do seu país natal.

(Como vês, não foi assim tão difícil escrever sobre isto, é só preciso um pouco de imaginação;)... )

terça-feira, agosto 29, 2006

Já passou o efeito Paredes de Coura. Ainda permaneceu alguns dias, mas acabaria, mais cedo ou mais tarde, por desvanecer. Ficam as memórias, a que posso sempre voltar, e o desejo de repetir.

Já estava aquecida, os concertos desse dia foram bem vivos e animados, a vontade de gastar energias com pulos, danças e risos crescia. Esperava com expectativa o próximo concerto, mas nunca julguei vivê-lo assim.
Bastou a entrada dela em palco para me render. Bigger than the sound. Os gestos lentos, as danças livres, a voz determinada e marota, a presença dominante em palco, é impossível descobrir o que me seduziu. Não via mais nada. Começaram com uma das poucas músicas que conhecia e, ao contrário de todos os outros concertos a que assisti, bebia cada nova música como se não quisesse que terminasse, aprendia-a logo, não me limitava a ouvir o ritmo e dançá-lo, não esperava por outra já familiar, todas eram perfeitas para o momento. De certa forma, algo em mim já as conhecia. Estava a assistir a uma das minhas bandas favoritas do momento sem o saber, o choque de compreender isto durante o espectáculo ao vivo tornou o meu fascínio, que acabara de nascer, ainda maior.
A certa altura reconheço o início da música que mais ansiava por ouvir, mas que julgava que seria esquecida. Êxtase. O meu corpo salta sozinho quando a música lhe diz para o fazer. E eu sigo, pulamos os dois, qual de nós mais inebriado.
Sentia-me tão feliz. Não sei como consegui pensar, mas o que é facto é que o fiz. Estes dias tinham corrido tão bem. Senti-me tão livre, tão leve, sorri, olhei o céu, visitei, conheci, dancei, ri, toquei, senti. E ali, naquele concerto, tudo de resumia naquele momento em que me perdi em mim e na música. Começou a chuviscar, vi tanta cabeça cobrir-se - só me devo ter apercebido da chuva com esta imagem colectiva -. Não lhes segui o exemplo. Ergui a cabeça para o céu, deixei-o pingar sobre a minha face. É isto que Eu Sou. Estou a sê-lo. Esta alegria, esta liberdade, esta vida. Sentir cada instante como se fosse único - e não o é?! -, marcá-lo em mim, deixar-me ir, perder-me nele, ser sugada pela sua brevidade, deixar o peito arder por dentro. Isto é felicidade.
A música terminou e lá me rendi ao capucho. Por pouco tempo porque deixou de chover. Não faz mal, já tive o meu momento abençoado. Voltei de novo a minha atenção para ela. Mantinha-se no seu papel de extravagante e comandante de todos nós. De mim, pelo menos, seguia-a com atenção, se saltasse, saltaria com ela, se se tornasse louca, enlouqueceria com ela. Mas eu sabia que ela iria acordar para nós. Eu não era a única invadida por aquele espectáculo, aquela energia, aquele impulso para mexer. Ouvi-a rir-se. Já nos viu, já percebeu que não gostamos apenas de receber, mas adoramos dar algo de volta. Algo maior para que a festa seja geral. Ela deixou de ser apenas alguém em palco, ela está connosco, comanda-nos com o seu encanto peculiar e move-se connosco. Estamos todos juntos, quebrou-se o fosso que nos separava. Ri-te, canta para nós, dança connosco, you're something like a phenomena.
O concerto não termina nunca. Quero que este momento seja eterno. Observo-a e acredito que também não se importava de ficar aqui connosco para sempre. Canta-nos a sua love song. Absorvo-a tal como me é oferecida. Tal como todas as outras que já passaram. Estou cheia. Perdi a noção do tempo, sugar cada instante estica-o até ao infinito, dá-me a eternidade que queria. Estou feliz como havia muito tempo que não estava. They don't love you like I love you. E, agora sim, estou pronta para voltar.

terça-feira, julho 18, 2006

Três anos!...
Parabéns, meu amor!


(refiro-me ao blog... três anos no dia 10 deste mês... atraso-me sempre na mensagem de parabéns...)

domingo, julho 02, 2006

Surgiste de novo. Já te julgava enterrado, mas o inconsciente prega-nos partidas. Estavamos duas, segurava-lhe a mão para que não tombasse, protegia-a. Mas deixou de precisar de mim no momento em que ele chegou. Viu-o, deixou de me ver, deixou-me de mãos no ar, suspensas pela súbita falta da mão que cuidavam. Senti-me triste pelo seu abandono indiferente. Mas antes que tombassem agora as minhas mãos, que cairiam, de novo afastadas, junto ao resto do meu corpo seco, tu surgiste-me, sorridente, e a tua mão larga preencheu o espaço deixado pela outra. Seguravamo-nos os dois. Não disseste nada, olhavas-me, sorrias e voltavas a ser que um dia foste para mim. Não mais que um amigo, não menos que um encanto. O eterno mistério do teu olhar. As mãos eram as mesmas. Tão grandes e tão doces, escondendo as minhas que gostam de as explorar. Uma dança de mimos inocentes e sem futuro. Estavas comigo naquele instante e não estarias no seguinte. Eras aquele momento, eu sabia disso. Trouxe-te pelo novelo de mãos que tinhamos criado até um sítio mais recatado onde pudessemos terminar o instante. E como a solidão é densa e a inocência frágil, quis mais que mãos. Quis braços, quis peito, quis calor, quis esconder-me em ti, no ninho que criarias à minha volta. Joguei-me no teu abraço sem medir profundidades. Quis-te perto, fechei os olhos, segui-me pelo teu odor que não esqueço. Quis demais, não tomei cuidado, fui bruta e não te cheguei a sentir. Antes das minhas mãos te rasgarem as costas de medo, já tu tinhas desaparecido. O instante tinha terminado. Assim como tu e eu.

sexta-feira, junho 23, 2006

Já está tudo sabido
Quando tiver alguém para mim
Já sei que músicas lhe vou dedicar
AS líricas que lhe vou recitar
Os poetas que vamos conhecer
As flores que vamos colher
Já escolhi o que vamos dançar
Os lugares belos para visitar
Os sitios discretos para comer
E até as surpresas que lhe vou fazer
Sei ainda como os meus dedos
tocarão cada traço do seu rosto
Como os lábios lhe tomarão o gosto
Como a minha cabeça se acomodará no peito
Como se vê, tudo muito bem feito

O meu amor já está todo planeado
Faltas tu, meu bem, saires desapontado
Diz-me, meu bem,
Porque me queres assim?
Não sou livre
Não rio sem medo
Não falo sem pudor
Não danço sem amarras
Vês apenas o meu olhar
atento e sereno
escondendo algo de ti
É por isso que me queres?
Queres descobri-lo?

Meu bem...
Não queiras.

sexta-feira, junho 09, 2006

Tenho saudades deste blog.
Mas eu volto.
Prometo.

E antes que me volte a esquecer...

Um agradecimento especial para a Mina que me ajudou a modificar o banner do blog. Ficou bonito, não ficou? Resta que se descubra o porquê daquela imagem...