domingo, julho 17, 2005

Dear friend,
Chegou ao fim. Não posso dizer que não, as coisas vão mudar, não temos dúvidas disso. Mas não me quero despedir, nem posso, seria incapaz de te deixar. Nos últimos tempos não tenho estado muito contigo e, das poucas vezes que estive, senti-te ausente, a afastares-te devagar de mim. Não sei se o fazes ou se o meu medo me está a criar ilusões, o que é certo é que não posso sair daqui sem te esclarecer umas coisas que não me vais pedir para te dizer.
Não vai ser fácil para mim. Tomei uma decisão muito importante, vou fazer muitos sacrifícios, mas acredito que seja para o meu bem. My dear, a única dúvida que tive foi em relação a ti. Mais do que tudo o resto, foste tu quem me fez hesitar. Olho para ti quando te dou a entender isto e vejo que não te convenço. E isso custa-me porque és realmente uma pessoa muito importante para mim, sabes disso, e tenho muito receio de te deixar.
Preciso que me compreendas e me perdoes. Que aceites a minha decisão e que não me deixes. Preciso de ti. Preciso de saber onde estás e de saber que ainda esperas por mim.
Bem... isto tudo porque estou com saudades tuas... Volta depressa.

sexta-feira, julho 08, 2005

Estou tão feliz hoje...

Vês? É isto que te dizia. Queria explicar como me sinto, ia começar a escrever quando me passa pela cabeça... "não, não escrevas isso porque eles vão ler e, obviamente, vão perceber que é sobre eles... E vão modificar tudo o que se passou, apenas porque leram a minha versão." É isto que me impede de dizer o quanto me sinto feliz hoje, o quanto acordei maravilhada. Teria de explicar tudo. E perceberias logo de onde tinha surgido a minha inspiração. Estou em paz. Mas teria de descrever aquele pormenor para que me entendessem. Talvez não te importasses que o contasse, provavelmente nem sequer te deste conta, estavas tão longe em ti, mas sinto que, ao leres, da próxima vez que o fizesses pararias para pensar e isso estraga o momento, o conforto, a felicidade. Ensinou-me isto Fernando Pessoa, já o sabia, mas ele recordou-me. Ao pensares no que sentes, deixas de o sentir, torna-o racional e a partir daí deixa de emocionar. Torna-se... ridículo (agora, Álvaro Campos). Tenho pensado demais, mas hoje não o vou fazer, vou sentir-me feliz, vou relembrá-lo, vou enamorar-me do momento e tentar provar um pouco dessa irracionalidade divina que transbordavam.
Fizeram-me acreditar de novo... E agora faz sentido.

sábado, junho 25, 2005

Que imagem! Ali estava ela, demasiado discreta para não reparar nela. Tinha entrado na livraria à procura de um livro que há muito prometia a mim próprio e deparei-me com a melhor poesia que podia esperar. Pela escolha das prateleiras no meio das quais se tinha escondido, soube logo que era uma verdadeira leitora, uma amante de literatura e não de apenas histórias de encantar. Estava entre Mário Dionisio e Florbela Espanca, lá ao fundo, sentada no parapeito baixo da janela, curvada sobre o livro. A livreira não a via certamente e, mesmo se visse, de certeza que não a incomodaria. Trazia uma saia castanha que, tal como o casaco demasiado quente para a época, parecia muito pesada. Mas toda a sua roupa que não consigo descrever em condições criavam-me um fascínio ainda maior por aquela personagem. E depois... a forma como segurava o livro, apoiado nos joelhos, a pouco mais de um palmo dos seus olhos. Devorava-o, amava-o, os seus olhos brilhavam tanto, perdidos completamente nas palavras, com um sorriso tímido de prazer. Não sei porque veio aqui parar. Se fosse poeta, diria que acordou com pensamentos perturbadores, que não se sentiu bem na sua vida, nas suas obrigações e no seu tempo e fugiu para aqui. É o que leio na sua expressão. Fugiu para a vida de outra pessoa, de outra personagem, para uma vida tão comum como a dela, mas certamente mais fascinante para si. Naquele momento esqueceu-se, saiu de si e estava bem. Parece que escolheu bem o livro, está a adorar. Tenho curiosidade em saber que livro era. Não era muito grande, mas o seu formato e as folhas que a rapariga carinhosamente passava dava para perceber que era especial. Os seus dedos passeavam deliciados pelas palavras, sentiam a tinta e a textura do papel. Penso que nunca vi ninguém tão feliz a ler. Não tive coragem de a acordar para saber que livro era aquele. Fiquei um tempo a observá-la, sorri e saí da livraria. Esqueci-me do livro, mas a poesia trouxe-a comigo.

sexta-feira, junho 10, 2005

(it's not really a goodbye, and you know it! but the lyric is really good... I think. So please ignore the chorus main verse)

Listen little child there will come a day
when you will be able, able to say,
nevermind the pain, all the aggrevation,
you know there's a better way for you and me to be
Look for the rainbow in every storm,
Fly like an angel heaven sent to me
Goodbye my friend,
I know you're gone you said you're gone but I can still feel you here
It's not the end,
You gotta keep it strong before the pain turn into fear
So glad we've made it, time will never change it
Just a little girl, Big imagination,
Never letting no one take it away,
Went into the world, What a revelation,
She found there's a better way for you and me to be
Look for the rainbow in every storm,
Find out for certain love is gonna be there for you,
You'll always be someone's baby
The times when we would play about,
The way we used to scream and shout,
We never dreamt you'd go your own sweet way
You know it's to say goodbye,
And don't forget on me you can rely
I will help you help you on your way
I will be you everyday

terça-feira, junho 07, 2005

Eu tenho dois deuses. A Natureza e o Tempo. Tenho muito respeito por ambos porque sei que são as únicas entidades a quem não consigo vencer. Tudo o resto, há sempre esperança.
A Natureza deu-me vida e é Ela que a mantém e governa. É Ela que decide o que acontece comigo, aquilo que vejo, aquilo que cheiro, aquilo que sinto. É a Natureza que me dá razões para viver, foi Ela que me ensinou esta religião e toda a filosofia de vida inerente.
Depois existe o Tempo. O Tempo é o mais poderoso. Ele tem consciência do seu poder e brinca connosco. Respeito-O porque, se não o fizesse, ainda mais doloroso seria vivê-Lo. As Horas, quantas vezes falei delas? Porque o Tempo não pára, nunca o fará e nós parecemos incapazes de compreender que assim tem de ser porque, se parásse, todos nós também o fariamos, acabar-se-ia a vida. E Ele anda sempre à mesma velocidade e ri-se de nós cada vez que O acusamos de ser muito rápido e, no instante a seguir, pedimos para se apressar. Mas não O julguem tanto, Ele não é tão mau como O fazem parecer. Ensina-nos constantemente a religião mas ninguém parece querer ouvir.
Depois logo falo um pouco mais dos meus deuses. O Tempo anda a meter-se muito comigo ultimamente. Tenho de vos contar... mais tarde.

segunda-feira, maio 30, 2005

Porque é que nunca estás aqui? Tenho saudades tuas. Sei que estás aí, que continuas com o teu sorriso suspeito de sempre, mas não me vês, não me falas, não me procuras. Eu percebo, a época é complicada, precisamos de paz e concentração. Por isso não me vou lamentar muito a situação. Mas só queria ter a certeza que esperas por mim, que, quando tudo isto passar, vais continuar aí, vais continuar a querer estar comigo, a partilhar aqueles pedaços de sonho que por vezes descobrimos, segredos só nossos e que, por isso, são tão especiais. Eu estou muito desinteressante neste momento, eu sei, mas... por favor, não percas a esperança, não desistas de mim porque eu vou voltar em breve, já falta pouco, e voltarei a ser a pessoa que tu uma vez estimaste. Espera só por mim...

quinta-feira, maio 19, 2005

Peço desculpa a quem aqui vem e tem visto nos ultimos tempos sempre o mesmo texto. Não é que não tenha inspiração, só que falta-me tempo e motes. E começo com receio de escrever porque sinto que o que poderá sair serão coisas que mais tarde (um dia, uma hora) me arrependerei de ter mostrado a alguém. Já não tenho muitas forças para dar a volta a um assunto e é difícil expor algo assim a quem mais estimo. Tenho de ter cuidado com as minhas palavras que se recusam a ficar presas em mim. É por isto que não tenho escrito, porque tenho pensado em vocês e em como um texto meu poderia mudar alguma coisa. Vou ver se recupero, mas não prometo escrever muito nos próximos tempos. Isto anda complicado.
Até sempre
Teria de desenhar para mostrar o que sinto. Mas não o sei fazer, só tenho estas palavras sempre iguais com que posso escrever. Talvez consiga dizer o que iria desenhar se soubesse como.
Desenhava o vermelho sujo, o vermelho de dor, de força, de loucura. Misturava-lhe uns traços de azul-escuro, azul-pânico, azul-fuga, um risco apenas, em cima, discreto e hesitante. Em baixo cairiam umas gotas de preto, mas um preto de calma, de fim, tranquilidade, paz. Só não sei o que desenhe por cima deste fundo... Deixa-me pensar...
Aqueles corpos. Sim, gostava de desenhar o suor, o cansaço, o aperto, o sufoco libertador. Seria perfeito desenhá-los por cima deste fundo. Rodeava-os de preto, apenas para os definir. Os dois corpos rasgando-se, roendo-se, mastigando-se como se não estivesse ninguém a desenhá-los, como se não houvesse mais nada. Corpos apenas, sem almas, loucos de ansiedade, mortos pela satisfação. E desenharia com mais cuidado os seus sorrisos, os seus lábios finos, atirados para o lado, sem cuidado de tapar o orgulho em ser cruel. E os olhos... não desenharia olhos, apenas o local para eles, vazios, vazados. As mãos enterradas na carne do outro, puxando algo invisivel para nós. Os cabelos molhados sobre a face. Os contornos simples, os corpos esguios e livres no papel. Não sei... não sei mesmo.
Mas como eu não desenho e tenho dificuldade em descrever um quadro assim... não o farei.

(não é (r) mas foi o que saiu... veremos se ajuda)
Aqui fica uma interpretação do quadro descrito em cima... Obrigada, Mina *


Inside Ana
by Mina

terça-feira, abril 26, 2005

"Mas o pior ainda estava para vir. Porque quando a doença da leitura toma conta do organismo, a tal ponto o debilita que o torna presa fácil desse outro flagelo que mora no tinteiro e supura na pena. O infeliz dedica-se à escrita."

"Quem esteja minimamente familiarizado com as agruras da composição não precisará que lhe contem a história em todos os seus promenores; como ele escrevia e achava bom o que escrevera; relia e achava execrável; corrigia e rasgava; cortava; acrescentava; ficava em êxtase; sucumbia ao desespero; passava noites excelentes e péssimas manhãs; agarrava uma ideia e deixava-a fugir; tinha uma nítida visão do seu livro, e a visão desvanecia-se; representava os papéis dos seus personagens enquanto comia; declamava-os enquanto passeava; ora vociferava, ora ria; hesitava entre este e aquele estilo; hoje preferia o heróico e o pomposo, amanhã o raso e simples; agora os vales de Tempe, mais logo os campos do Kent ou da Cornualha; e não conseguia decidir se era o mais divino dos génios se o maior tolo do mundo."

Orlando - Virginia Woolf