Morreu Hoje A Primeira Mulher
"Morreu hoje a primeira mulher...
Deslizaram corpos com sabor a mar
Fez-se silêncio para ouvir o som de um grito que nunca chegou...
Abrem-se janelas que te cortam com o frio o calor do corpo...
Apertas o corpo e abraças-te em ti mesmo,
Com medo de te dissipares...
Sentes o papel em que escreves e lambes as folhas. Porque
Nenhuma palavra te pode transportar ou viver por ti.
Rodopias nua de racionalidade e respiras
O que te resta. Talvez nunca tenha visto ser tão sensual
À face...de uma Terra.
O frio acentuava-te as formas
E denunciava a beleza que te restava. O vento,
Delator da verdade, soprou- te nos cabelos
E fez-te dele...Até que paraste de rodopiar,
Mesmo sabendo que continuavas imóvel...
És em mim agora, toda a estrada, vazia.
É em mim, que agora toca o frio,
Toca o interior, oco demais para conter mais que uma teia,
Interior aquele em que inspiro tudo o que me prende
A um exterior; às ruas que caminhavas descalça,
Que te enlaçavam e enlaçam, agora presa dentro de mim,
Numa teia de finos e molhados cabelos, em que te vestes...
Podes vir, vem agora e desliza dentro de mim,
Rodopia para eu te fazer parar. Dança...
Talvez além de assistir, eu dance contigo
E te compre o corpo...morto.
...Morreu hoje a primeira mulher."
(Patrícia Paixão)
É bonito, não é? É de uma grande poetisa que felizmente tenho a honra de conhecer e de saber o valor que a sua escrita tem. É pena que não o mostre a muita gente (curioso como as duas melhores poetisas que eu conheço pessoalmente são as mais modestas e mais reservadas em relação à sua escrita - ou será a tudo o resto?- ). Certamente concordarão comigo quando digo que é uma mais valia para este blog ter a honra de publicar este poema com autorização da poetisa. Gostei muito dele, mais do que qualquer outro, ela é capaz de perceber porquê. Leiam novamente...
quarta-feira, maio 05, 2004
terça-feira, maio 04, 2004
Pois é... Basta perder o autocarro, basta um tropelão, um vento que roube o papel que seguravamos, basta um sorriso malicioso, uma piada infeliz, um exercício complicado, uma areia no olho... Basta um "apenas" para queremos acreditar que foi "tudo". Basta um insignificante momento de atraso ou aborrecimento para nos levar a querer fugir de tudo,a escondermo-nos num buraco, numa toca secreta em que mais ninguém se atreva a ir. Escondidos e abraçados a nós mesmos, sem saber que o tempo passa, sem sequer o tempo se preocupar mais em nos visitar. Chorando, num gemido babado, todos aqueles momentos que não importam a ninguém e que nos queimam por isso mesmo, por não importar a mais ninguém. E lá estaremos, escondidos, rasgando a nossa pele com esses promenores, com tudo o que nos envergonha sem termos razão para tal. E nunca mais queremos de lá sair. Nunca mais abriremos os olhos. Eles continuarão a chorar, as lágrimas de suor, dos arrepios que nos incomodaram todo este tempo. Afastados de todos. Sozinhos. E, ao mesmo tempo, com a pior companhia que poderiamos alguma vez ter: nós próprios.
O silêncio é demasiado perturbador para não ser partilhado...
O silêncio é demasiado perturbador para não ser partilhado...
domingo, maio 02, 2004
Venho pedir desculpas por não ter escrito ultimamente. O meu computador anda muito doentinho e não põe os acentos como deve, por isso achei melhor não actualizar o blog por uns tempos, a ver se o computador lá se curava. Continua doente, é capaz de demorar ainda uns tempos até ficar bom. Agradecia portanto a paciência de todos os que aqui veêm porque eu voltarei, com acentos, em breve (espero...). Ah, e para aqueles mais perspicazes, neste momento estou noutro computador só para deixar esta mensagem, daí os acentos até estarem correctos...
Até breve
Até breve
quinta-feira, abril 22, 2004
Palavras Fatais (este texto/poema e´ antigo e pela primeira vez alguem o vai ler...)
Penso em ti. Penso em ti quando me levanto, quando como, quando caminho, quando choro, quando sonho, quando estudo, quando me deito. Quando te vejo. E nesses momentos...
Desejo-te. Desejo o teu sorriso num dia cinzento, o teu olhar na minha solidao, a tua presença na escuridao, a tua voz no silencio, o teu amor em mim e na vida. E nesses momentos...
Olho-te. Olho-te como um fruto que nao consigo apanhar, como o vento que nao consigo acompanhar, como uma palavra que nao consigo guardar, como perfeiçao que nao consigo alcançar...Um anjo. E nesses momentos...
Choro. Choro, tornando magoas, derrotas, sonhos, vida e tristeza em lagrimas que, por momentos, parecem nunca mais ter fim, talvez por dor, talvez por amor. E tento algo impossivel: esquecer-te... e amar-te.
Penso em ti. Penso em ti quando me levanto, quando como, quando caminho, quando choro, quando sonho, quando estudo, quando me deito. Quando te vejo. E nesses momentos...
Desejo-te. Desejo o teu sorriso num dia cinzento, o teu olhar na minha solidao, a tua presença na escuridao, a tua voz no silencio, o teu amor em mim e na vida. E nesses momentos...
Olho-te. Olho-te como um fruto que nao consigo apanhar, como o vento que nao consigo acompanhar, como uma palavra que nao consigo guardar, como perfeiçao que nao consigo alcançar...Um anjo. E nesses momentos...
Choro. Choro, tornando magoas, derrotas, sonhos, vida e tristeza em lagrimas que, por momentos, parecem nunca mais ter fim, talvez por dor, talvez por amor. E tento algo impossivel: esquecer-te... e amar-te.
quarta-feira, março 31, 2004
terça-feira, março 30, 2004
Cada Vez Mais Aqui
Queres lutar com quem?
Para doer aonde?
Para ser o quê?
Achas que ninguém vê?
E para quê fingir?
Porquê mentir e remar na dor?
Achas que ninguém vê?
Também eu queria parar...
chorar
cair... para me levantar,
para te puxar!
Te fazer sorrir...
não voltar a cair!
Não me olhes assim!
Continuo a ser quem fui!
Cada vez mais aqui...
não dances tão longe..!
...que eu já te vi
Também eu queria parar...
chorar
cair... para me levantar,
para te puxar!
Te fazer sorrir...
não voltar a fugir!
(Toranja)
Preciso que alguém dance comigo. Estou sozinha no meio de todo este grande grupo. Engraçado como, apesar de estarmos todos em círculo virados para o centro, ninguém olha para ninguém, cada um esconde o seu olhar naquela individualidade que nunca tinha visto antes e que entra neste momento na sala. Parece que procuram algo fora deste círculo para poderem sair dali. Ou não, talvez não queiram sair, talvez procurem não desperdiçar tanto tempo em silêncio, ao menos assim estão entretidos a olhar alguém desconhecido, enquanto o assunto de conversa não chega.
Estou cansada de estar aqui feita normal a olhar para fora do nosso círculo. Não estou aqui a fazer nada. Vou sair. Mas não tenho para onde. Tenho ali outro círculo de gente conhecida. Estão um pouco mais alegres, sorriem, olham-se, divertem-se. Mas cheguei tarde e não caibo mais nesta circunferência apertada. Vou sair novamente, vou procurar um refúgio. Ali está um... Alguém, uma, duas pessoas que conversam e que eu conheço. Aproximo-me. Conversamos um pouco. Mas algo chama essas duas pessoas e eu fico isolada. Mas não, agora não vou sair daqui.
Enquanto espero - e não espero... - pela sua atenção de volta, aproveito para estar sozinha. Vejo mais uns quantos conhecidos por ali, não em círculo, conversando efectivamente, poderia aproximar-me e deixar de estar aqui sozinha. Mas não o faço, eles pediriam-me um sorriso e eu já esgotei os meus. E sabe bem estar aqui sozinha. Sabe bem estar isolada, perdida em mim mesma, enquanto, talvez, quem passa, me julgue acompanhada por aquelas pessoas que desviaram a sua atenção, que nem fazem ideia que continuo aqui. E ainda bem... Por momentos posso estar sozinha sem me sentir demasiado estranha. Talvez não olhem para mim e pensem "Tadita, tá mesmo à nora!". Duvido, mas enfim. Já não me importo. hoje não me importo com o que os outros poderão pensar de mim. Engraçado, logo hoje em que todos se julgam e avaliam uns aos outros. Mas ninguém me vê por dentro, ninguém me poderá julgar. Não me preocupo. Acabou-se.
"Ah, não sabia que ainda estavas aqui". Pois, eu sei que não sabiam, por isso é que me deixei ficar por aqui. Ninguém sabia onde estava e, vê lá, estava tão próximo. Mas agora já voltaram a vossa atenção para mim e sei que não me vão largar agora. Porque eu estive aqui, à vossa espera, e vocês ficaram espantados com isso. Pois é, mas eu não poderia esperar por mais ninguém. Porque mais ninguém me deixaria estar sem sorrir. Realmente, não há melhor lugar para estar agora senão ao pé de vocês.
Preciso que alguém dance comigo. Preciso de alguém que me abrace sem ter razões para isso. Preciso que alguém me sorria, que me diga aquelas frases entre o sonho e o acordar que nunca mais sairão de mim, preciso de alguém que esteja só para eu poder sentir. Preciso que alguém dance comigo, só para poder estar junto a alguém. Preciso mesmo de dançar. Mas hoje parece que todos têm o olhar fora do círculo. Ninguém me abraçará hoje. Nem amanhã. Nem depois. Porque não descobrem razões para isso.
Talvez se lessem um texto como este, talvez aí já encontrariam razões, mas agora já não preciso, agora já vos disse, agora já não servia de nada. Porque assim, já havia razões. E eu só quero abraços sem razões... Não sabem ler nos meus olhos presos ao chão o abraço que eu pedia... E não há abraços desses...
Estou cansada de estar aqui feita normal a olhar para fora do nosso círculo. Não estou aqui a fazer nada. Vou sair. Mas não tenho para onde. Tenho ali outro círculo de gente conhecida. Estão um pouco mais alegres, sorriem, olham-se, divertem-se. Mas cheguei tarde e não caibo mais nesta circunferência apertada. Vou sair novamente, vou procurar um refúgio. Ali está um... Alguém, uma, duas pessoas que conversam e que eu conheço. Aproximo-me. Conversamos um pouco. Mas algo chama essas duas pessoas e eu fico isolada. Mas não, agora não vou sair daqui.
Enquanto espero - e não espero... - pela sua atenção de volta, aproveito para estar sozinha. Vejo mais uns quantos conhecidos por ali, não em círculo, conversando efectivamente, poderia aproximar-me e deixar de estar aqui sozinha. Mas não o faço, eles pediriam-me um sorriso e eu já esgotei os meus. E sabe bem estar aqui sozinha. Sabe bem estar isolada, perdida em mim mesma, enquanto, talvez, quem passa, me julgue acompanhada por aquelas pessoas que desviaram a sua atenção, que nem fazem ideia que continuo aqui. E ainda bem... Por momentos posso estar sozinha sem me sentir demasiado estranha. Talvez não olhem para mim e pensem "Tadita, tá mesmo à nora!". Duvido, mas enfim. Já não me importo. hoje não me importo com o que os outros poderão pensar de mim. Engraçado, logo hoje em que todos se julgam e avaliam uns aos outros. Mas ninguém me vê por dentro, ninguém me poderá julgar. Não me preocupo. Acabou-se.
"Ah, não sabia que ainda estavas aqui". Pois, eu sei que não sabiam, por isso é que me deixei ficar por aqui. Ninguém sabia onde estava e, vê lá, estava tão próximo. Mas agora já voltaram a vossa atenção para mim e sei que não me vão largar agora. Porque eu estive aqui, à vossa espera, e vocês ficaram espantados com isso. Pois é, mas eu não poderia esperar por mais ninguém. Porque mais ninguém me deixaria estar sem sorrir. Realmente, não há melhor lugar para estar agora senão ao pé de vocês.
Preciso que alguém dance comigo. Preciso de alguém que me abrace sem ter razões para isso. Preciso que alguém me sorria, que me diga aquelas frases entre o sonho e o acordar que nunca mais sairão de mim, preciso de alguém que esteja só para eu poder sentir. Preciso que alguém dance comigo, só para poder estar junto a alguém. Preciso mesmo de dançar. Mas hoje parece que todos têm o olhar fora do círculo. Ninguém me abraçará hoje. Nem amanhã. Nem depois. Porque não descobrem razões para isso.
Talvez se lessem um texto como este, talvez aí já encontrariam razões, mas agora já não preciso, agora já vos disse, agora já não servia de nada. Porque assim, já havia razões. E eu só quero abraços sem razões... Não sabem ler nos meus olhos presos ao chão o abraço que eu pedia... E não há abraços desses...
sábado, março 13, 2004
21 Gramas
"They say we all lose 21 grams
at the exact moment of our death...
everyone.
The weight of a stack of nickels.
The weight of a chocolate bar.
The weight of a hummingbird..."
Ontem foi ver o filme "21 Gramas". Não foi dos filmes que mais me tocou e que mais me marcou mas, sem dúvida, fez-me pensar muito. Especialmente, na fragilidade da vida. Jovem como sou, tenho tendência natural para pensar que sou imortal. Sou nova, ainda tenho muito que viver, nem sinto o cheiro da morte passar por mim. Não perdi ainda pessoas muito chegadas. Provavelmente ainda não compreendi o conceito de morte muito bem.
Há uns dias atrás, estava deitada já, à espera de adormecer, quando o meu coração decidiu assustar-me. Acelarou muito, durante meio segundo e quando parou ficou uma sensação esquisita no coração como se preparasse para o fazer outra vez. E, provavelmente pela primeira vez na minha vida, senti que ia morrer. Senti que me iria acontecer alguma coisa durante a noite e que só me encontrariam no dia seguinte já morta. Mas não foi o facto de só me encontrarem de manhã que me perturbou. Foi o facto de não viver o dia seguinte. O facto de deixar tanta coisa por fazer. De a minha vida acabar ainda antes de eu ter feito alguma coisa com ela. Foi uma sensação terrível. A morte olhava para mim, sorria, e perguntava-me sarcasticamente se me sentia invencível. E mostrou-me como iria recordar o dia seguinte. O dia que já não iria viver. Era negro, era vazio. Era nada. Não o conseguia imaginar. Eu não o viveria. Mas o tempo não iria parar e todos os outros vivos continuariam a enfrentar as horas.
Sou muito nova e ninguém espera que eu morra durante a noite. Assim como ninguém espera morrer aos 20, ou aos 30, ou aos 40, durante uma conversa animada, durante o sono, durante um jogo de futebol, durante um sorriso. Só esperam morrer quem se sente doente. Só os doentes parecem ter direito a sonhar com a morte. Só os doentes é k têm o direito de a imaginar.
Neste filme o que mais me marcou foi a viúva (peço desculpa a quem não viu o filme). Como é que uma mulher jovem como ela poderia resistir à perda de um marido querido e amado e de duas filhas ainda tão pequenas por atropelamento? Quem é que pode compreender? É ela que diz que a vida não continua. Como seria possível continuar? A vida é tão fragil, pode-se perder num segundo apenas. E esta mulher, momentos antes de saber que o seu marido e as suas filhas estão mortas, ouve no seu telemóvel, com um sorriso carinhoso, uma mensagem do seu marido a dizer que está a caminho de casa, para lhe telefonar se for preciso, ouve-o até repreender uma de suas filhas por se estar a meter com um pombo. E ela sorri. Adora a sua família. Vive para ela. Ama-os tanto. E, descansada, desliga o telemovel e espera pelo regresso deles. Mas o telefone toca. E a sua vida parou.
Tudo isto para dizer como me doeu saber que aquela mulher que era tão feliz, que se estava a reconstruir, perdeu de um momento para outro as três pessoas mais queridas, sem qualquer razão, sem qualquer aviso. Tão frágil a vida, tanto dos que foram como a dos que ficaram.
21 gramas... É isso que valemos?
"They say we all lose 21 grams
at the exact moment of our death...
everyone.
The weight of a stack of nickels.
The weight of a chocolate bar.
The weight of a hummingbird..."
Ontem foi ver o filme "21 Gramas". Não foi dos filmes que mais me tocou e que mais me marcou mas, sem dúvida, fez-me pensar muito. Especialmente, na fragilidade da vida. Jovem como sou, tenho tendência natural para pensar que sou imortal. Sou nova, ainda tenho muito que viver, nem sinto o cheiro da morte passar por mim. Não perdi ainda pessoas muito chegadas. Provavelmente ainda não compreendi o conceito de morte muito bem.
Há uns dias atrás, estava deitada já, à espera de adormecer, quando o meu coração decidiu assustar-me. Acelarou muito, durante meio segundo e quando parou ficou uma sensação esquisita no coração como se preparasse para o fazer outra vez. E, provavelmente pela primeira vez na minha vida, senti que ia morrer. Senti que me iria acontecer alguma coisa durante a noite e que só me encontrariam no dia seguinte já morta. Mas não foi o facto de só me encontrarem de manhã que me perturbou. Foi o facto de não viver o dia seguinte. O facto de deixar tanta coisa por fazer. De a minha vida acabar ainda antes de eu ter feito alguma coisa com ela. Foi uma sensação terrível. A morte olhava para mim, sorria, e perguntava-me sarcasticamente se me sentia invencível. E mostrou-me como iria recordar o dia seguinte. O dia que já não iria viver. Era negro, era vazio. Era nada. Não o conseguia imaginar. Eu não o viveria. Mas o tempo não iria parar e todos os outros vivos continuariam a enfrentar as horas.
Sou muito nova e ninguém espera que eu morra durante a noite. Assim como ninguém espera morrer aos 20, ou aos 30, ou aos 40, durante uma conversa animada, durante o sono, durante um jogo de futebol, durante um sorriso. Só esperam morrer quem se sente doente. Só os doentes parecem ter direito a sonhar com a morte. Só os doentes é k têm o direito de a imaginar.
Neste filme o que mais me marcou foi a viúva (peço desculpa a quem não viu o filme). Como é que uma mulher jovem como ela poderia resistir à perda de um marido querido e amado e de duas filhas ainda tão pequenas por atropelamento? Quem é que pode compreender? É ela que diz que a vida não continua. Como seria possível continuar? A vida é tão fragil, pode-se perder num segundo apenas. E esta mulher, momentos antes de saber que o seu marido e as suas filhas estão mortas, ouve no seu telemóvel, com um sorriso carinhoso, uma mensagem do seu marido a dizer que está a caminho de casa, para lhe telefonar se for preciso, ouve-o até repreender uma de suas filhas por se estar a meter com um pombo. E ela sorri. Adora a sua família. Vive para ela. Ama-os tanto. E, descansada, desliga o telemovel e espera pelo regresso deles. Mas o telefone toca. E a sua vida parou.
Tudo isto para dizer como me doeu saber que aquela mulher que era tão feliz, que se estava a reconstruir, perdeu de um momento para outro as três pessoas mais queridas, sem qualquer razão, sem qualquer aviso. Tão frágil a vida, tanto dos que foram como a dos que ficaram.
21 gramas... É isso que valemos?
terça-feira, março 09, 2004
Dream Brother
there is a child sleeping near his twin
the pictures go wild in a rush of wind
that dark angel he is shuffling in
watching over them with his black feather wings unfurled
the love you lost with her skin so fair
is free with the wind in her butterscotch hair
her green eyes bloom goodbyes
with her head in her hands and your kiss on the lips of another
dream brother
with your tears scattered round the world.
don't be like the one who made me so old
don't belie the one who left behind his name
'cause they're waiting for you like i waited for mine
and nobody ever came
i feel afraid and i call your name
i love your voice and your dance insane
i hear your words and i know your pain
your head in your hands and her kiss on the lips of another
your eyes to the ground
and the world spinning round forever
asleep in the sand with the ocean washing over
Jeff Buckley
there is a child sleeping near his twin
the pictures go wild in a rush of wind
that dark angel he is shuffling in
watching over them with his black feather wings unfurled
the love you lost with her skin so fair
is free with the wind in her butterscotch hair
her green eyes bloom goodbyes
with her head in her hands and your kiss on the lips of another
dream brother
with your tears scattered round the world.
don't be like the one who made me so old
don't belie the one who left behind his name
'cause they're waiting for you like i waited for mine
and nobody ever came
i feel afraid and i call your name
i love your voice and your dance insane
i hear your words and i know your pain
your head in your hands and her kiss on the lips of another
your eyes to the ground
and the world spinning round forever
asleep in the sand with the ocean washing over
Jeff Buckley
terça-feira, março 02, 2004
O Tempo é uma coisa engraçada. E assustadora para quem pensa nele. Hoje vou propor uma brincadeira. Que nem tem muita piada mas enfim... Vamos pensar nos nossos amigos, mas não ao nosso lado. Vamos imaginá-los em casa, com os pais, a jantar. Focalizem uma pessoa (eu não... assim não vale!) e imaginem.
O Fulano está sentado à mesa (se conhecerem a casa dessa pessoa, melhor). Tem os pais ao pé, e o irmão à frente. Imagina também o que estão a comer. E agora, o Fulano falou. O que ele disse? Imagina uma conversa entre ele e os pais. O que achas que ele diria? Qual seria a reacção dos pais? Espera! Como achas que o Fulano e os pais se dão, a sua relação? Se calhar não consigo transmitir o valor desta imagem. Tu conheces uma pessoa quando está contigo. Sabes as suas reacções a ti e ao teu grupo. Achas que essa pessoa é igual quando está em casa? A sua relação com os pais será igual à que tem contigo? As reacções, as respostas, serão dadas com o mesmo tom, o mesmo significado, a mesma intensão? Provavelmente não. E eu suponho que seja importante este tipo de "imaginação" para tentar saber.
Continuando o nosso jantar com Fulano... Imaginemos agora uma discussão. Primeiro que tudo, temos de arranjar um motivo. Ou será que Fulano discute sem motivos?... Quais seriam as reacções, as respostas, o volume da voz de Fulano? E já agora, dos pais e do irmão? Pronto, já chega de discussão (como será que se acalmaram?), vamos para outro ponto da casa. O Fulano está a ver televisão com o irmão, talvez, vamos supor. Qual será a posição do corpo? Que canal estará a ver? Será que vai brigar com o irmão pelo comando? Ou pelo jogo? Ou mesmo pelo lugar?!
(Para os mais criativos, podem imaginar o fulano na casa de banho... a fazer o que todos temos de fazer e que não deveria ser embaraçoso mas é...)
E agora, finalmente, vamos imaginar a parte mais importante. Vamos imaginar Fulano sozinho. Porque é que é importante? É importantissimo! É quando uma pessoa é realmente ela própria. Pensem em vocês e digam-me, pronto não a mim, mas a vocês, são totalmente iguais quando estão sozinhos e quando estão acompanhados? Nunca fizeram nada sozinhos que teriam muita vergonha se alguém vos visse? Não digo que estejam arrependidos, até porque há certas coisas que naturalmente devemos fazer com privacidade. Mas... serão a mesma pessoa? Imaginem agora,os vossos amigos, os vossos conhecidos, em casa, sozinhos. Pensas que sabes exactamente o que Fulano faz quando está sozinho no quarto? E imaginas o que ele pensa antes de adormecer?...
Apesar de tudo o que eu disse, o melhor é não imaginarmos ninguém. É invadir a sua privacidade, mesmo que seja só imaginação...
O Fulano está sentado à mesa (se conhecerem a casa dessa pessoa, melhor). Tem os pais ao pé, e o irmão à frente. Imagina também o que estão a comer. E agora, o Fulano falou. O que ele disse? Imagina uma conversa entre ele e os pais. O que achas que ele diria? Qual seria a reacção dos pais? Espera! Como achas que o Fulano e os pais se dão, a sua relação? Se calhar não consigo transmitir o valor desta imagem. Tu conheces uma pessoa quando está contigo. Sabes as suas reacções a ti e ao teu grupo. Achas que essa pessoa é igual quando está em casa? A sua relação com os pais será igual à que tem contigo? As reacções, as respostas, serão dadas com o mesmo tom, o mesmo significado, a mesma intensão? Provavelmente não. E eu suponho que seja importante este tipo de "imaginação" para tentar saber.
Continuando o nosso jantar com Fulano... Imaginemos agora uma discussão. Primeiro que tudo, temos de arranjar um motivo. Ou será que Fulano discute sem motivos?... Quais seriam as reacções, as respostas, o volume da voz de Fulano? E já agora, dos pais e do irmão? Pronto, já chega de discussão (como será que se acalmaram?), vamos para outro ponto da casa. O Fulano está a ver televisão com o irmão, talvez, vamos supor. Qual será a posição do corpo? Que canal estará a ver? Será que vai brigar com o irmão pelo comando? Ou pelo jogo? Ou mesmo pelo lugar?!
(Para os mais criativos, podem imaginar o fulano na casa de banho... a fazer o que todos temos de fazer e que não deveria ser embaraçoso mas é...)
E agora, finalmente, vamos imaginar a parte mais importante. Vamos imaginar Fulano sozinho. Porque é que é importante? É importantissimo! É quando uma pessoa é realmente ela própria. Pensem em vocês e digam-me, pronto não a mim, mas a vocês, são totalmente iguais quando estão sozinhos e quando estão acompanhados? Nunca fizeram nada sozinhos que teriam muita vergonha se alguém vos visse? Não digo que estejam arrependidos, até porque há certas coisas que naturalmente devemos fazer com privacidade. Mas... serão a mesma pessoa? Imaginem agora,os vossos amigos, os vossos conhecidos, em casa, sozinhos. Pensas que sabes exactamente o que Fulano faz quando está sozinho no quarto? E imaginas o que ele pensa antes de adormecer?...
Apesar de tudo o que eu disse, o melhor é não imaginarmos ninguém. É invadir a sua privacidade, mesmo que seja só imaginação...
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